quarta-feira, 31 de março de 2010

atestado pelo inmetro

rapaz, então...

preciso manter o exercício de atualizar isso aqui com mais frequência. não pelo pessoal de massachusetts, mas pelo desejo de ser melhor com as palavras.

tem um cara que eu conheço, que escreve um dos melhores blogs que já li na vida. não só pela figura do cara, mas pelo conteúdo que suas histórias carregam e sua personalidade debochada de escritor.

o cara é um mistério. eu nunca soube o que ele sente ou o que ele pensa com certeza. isso pode parecer assustador, mas eu só sei quem ele é por muita insistência.

registro aqui pra prosperidade, então, mais um motivo para curtir horas a fio em devaneios pela world wide web.




um dos últimos caras incríveis e amáveis do planeta terra.



terça-feira, 23 de março de 2010

processo natural

acabei de ler o jornal.
nele, o considerado fim da era arruda.

na carta escrita por ele, mencionou que "a vida é cíclica" (pode olhar aí, tá na capa do CB de hoje).

arrudinha, eu votei em você. seu corno.

sexta-feira, 19 de março de 2010

sobre perseverança

nasceu. em 17 de fevereiro de 1983. gordinho e muito chorão.

dizem os espíritas, que as pessoas nascem feito estrelas, já carregam um sonho e uma felicidade no coração. depois que conheci essa história, passei a acreditar plenamente nisso, mesmo desconhecendo a doutrina do espiritismo.

3 anos de idade, 1986. colégio reino encantado. primeiro desenho (ou seria, primeiro garrancho?): um avião com nuvens tortas e um sol que sorria.

mesmo sem ter consciência disso e sem saber do que se tratava aquela máquina mágica e voadora, pablo traçou todo o destino de sua vida. a partir daquele momento, escolheu ser piloto. sim, aos 3 anos de idade.

os anos correram. sempre foi bom aluno, escorregando entre uma prova final aqui e outra ali. e sempre com a idéia mirabolante de ser piloto por mais atípico e maluco que aquilo poderia parecer. esse rapaz também tem o tal do ‘fantástico mundo’, sabe?

aos 15 anos iniciou de vez a sua carreira, sem ao menos saber. conheceu o piloto eduardo fabiano. sabe aquela pessoa que muda a sua vida para sempre? independente de continuar vivo ou não, fabiano foi o empurrão que pablo precisava para o seu grito de independência na profissão.

desde então, pablo não parou mais. resolveu encarar uma faculdade de computação para acalmar o coração da mãe, que desapontada com a profissão escolhida pelo filho, resolveu vetar a verba para as horas de vôo.

mesmo assim, destemido e criativo, pablo deu seu jeito. ofereceu ser até carpinteiro do aeroclube de luziânia para em troca, poder voar e progredir. eram sábados e domingos intermináveis. voltava pra casa um bagaço, com a pele marcada pelo sol em formato de blusa. assim se divertia e sonhava. nunca limitou a altura de seus sonhos.

e nessa falta de limites que, apaixonadamente, pablo nunca desistiu. teve motivos para largar tudo. perdeu os pais repentinamente e em 1 ano sua vida virou de cabeça para baixo. logo depois, perdeu seu mentor e melhor amigo, fabiano, em um acidente de acrobacia aérea.

questionou?

não. em nenhum momento hesitou. nada, praticamente. colocou os pés no chão e ergueu a cabeça sabendo que o seu destino era o céu – e o mundo.

hoje aos 27 anos continua sonhando, do mesmo jeito que começou aos 3. o seu sol, continua a sorrir mas as suas nuvens já não são tortas.

o seu ‘fantástico mundo’ é o sonho que ele transformou em realidade. realidade apaixonada.

é bonito de ver.

quarta-feira, 17 de março de 2010

potoca.

tenho a sensação que, para suavizar nossa rotina precisamos de macetes. macetes esses, que confortem a ação repetitiva e traga um pouco mais de emoção às nossas vidas.

sempre fui muito craque nisso. de alguma forma, crio diariamente motivos para rir do nada. ou aprender alguma coisa diferente e banal, como por exemplo, como funciona minimamente um microondas.

a primeira vez que me lembro de dar um tapa na rotina, foi aos 9 anos.

ganhei minha primeira bicicleta. não imagine você que vou contar como foi o "start up" entre andar com rodinha e sem. quando ganhei, já sabia fazer isso (tinha a bicicleta do meu irmão para treinar).

rosa choque. tinha umas franjinhas de plástico em cada lado do guidom e uma cestinha branca à frente. linda de morrer. podia fazer inveja em qualquer amiguinha da quadra, tinham várias que adorariam ter uma bicicleta igual a minha. mas não. tinha apenas um interesse naquela bicicleta.

mantendo a tradição do meu fantástico mundo, conseguia ver beleza em coisas que muita gente achava simples demais. e com isso, acabei contando várias mentirinhas na escola, querendo ser um máximo para todos os meus coleguinhas. doce ilusão.

contava mentiras do tipo "meu pai é taxista". ou, "ah, mas eu sou filha da empregada e a patroa que paga a escola". também tem essa, "moro com a minha avó. meus pais fugiram pro méxico".

colava até o dia da reunião semestral de pais e mestres. numa dessas, quando minha mãe voltou pra casa, levei uma taca daquelas. ela ficou furiosa perguntando que história era aquela de taxista e méxico. eu me rachei de rir. pronto. castigo não-sei-quanto-tempo, sem meus lápis coloridos e minha fita k7 da mara maravilha.

tudo bem. entendido o recado. não podia mais inventar a minha estória na escola. pedi a tal bicicleta de presente de Natal.

menina comportada, bicicleta na "garagem".

aí sim, comecei a minha estória de verdade: todo dia pela manhã, encarnava meu espírito taxista. saía pontualmente às 10h e pilotava pela quadra toda, imaginando sempre uma pessoa diferente na minha garupa. pegava uns atalhos perigosos, subia, descia e até caía! era simplesmente demais! carreguei um angolano que ficou apaixonado por mim depois. e também conheci o chris o'donnel, que em passagem pelo brasil, sentou na minha garupinha - juro pra você.

agora não era potoca. e minha vida dava adeus à rotina. e eu continuava feliz com meus hábitos sem sentido.

todo mundo tem uma capa de super-herói invisível. pode prestar atenção.

(um salve pra galera de massachusetts!)

segunda-feira, 15 de março de 2010

para entender

e daí que terminou o final de semana e hoje é segunda-feira. de novo.

não foi a primeira e nem será a última vez. e quando falo disso, todo mundo tem uma reação brava e assustadora. te chamam de boba, besta e te mandam calar a boca. mas é isso mesmo: eu tenho a nítida impressão que vou morrer jovem. jovem assim, próxima aos 28, 30 anos.

não acho isso horrível e nem trágico. acho normal. todo mundo morre. você vai morrer. pode ser daqui a 5 minutos, pode ser daqui há 55 anos. aprenda a viver com a única realidade que é justa e honesta com você.

e vivendo com essa sensação (que não é macabra, relaxa...), eu começo a "planejar" a minha morte. várias pessoas importantes para mim já morreram. a maioria delas de morte morrida: doença, velhice, 'macambuzisse'... e geralmente essas mortes sempre são as mais desejadas, quando pensamos no nosso fim.

para mim, não tem história melhor do que a morte do meu avô materno.
quando ele morreu, eu devia ter uns 12 anos. minha mãe ainda escondia de mim o mundo cruel e nessa época eu ainda tinha meu fantástico mundo, por isso, não posso garantir total veracidade nessa história.

o alfredo era um velho português muito turrão. daqueles com a voz grossa, reclamão, bigodudo, sempre com a cara fechada. mas para transformá-lo, bastava um mês de clara em sua vida (metida). minha avó dizia que o melhor alfredo que ela conhecia, era aquele que me acompanhava nas férias. que contribuía para as minhas cáries dentárias e para o meu leve aumento de peso no início do ano letivo. o alfredo turrão que todos diziam, eu só conhecia em raros momentos que o acompanhava na padaria, pela forma com que ele tratava as pessoas, bem bravo. mas sempre achei que aquilo era coisa de adulto e que provavelmente quando eu crescesse, teria que fazer igual. comigo ele era diferente. era amável, carinhoso e sempre me dava o pirulito da chiquinha. e quando chegava a hora do comercial na tv, que não passava nada (cidade de interior), ele vinha com seu violão pra tocar todas as minhas musicas preferidas.

o último ano que passei férias com ele, foi diferente. dessa vez, ele tinha comprado uma piscina de lona pra mim. imagina, eu com 10, 11 anos, com uma piscina de lona inteira SÓ pra mim. foi uma das melhores férias da minha vida. uma baita despedida.

voltei para brasília. sem piscina de lona, sem alfredo e com vários livros novos os quais, eu odiava.
perto do meu aniversário, dia 23 de março, recebemos um telefonema em casa, por volta do meio-dia. era o tio cláudio. voz baixa, rouca e trêmula. pediu para falar com a minha mãe. eu já percebi que tinha alguma coisa errada.

minha mãe desligou o telefone com os olhos marejados. meu pai pediu para eu ir pro quarto estudar. nessa hora eu fiquei sem entender, meu pai nunca me mandava estudar. aí sim constatei que tínhamos um problema na família.

não deu 5 minutos, meus pais chamaram a mim e ao meu irmão para conversar na sala. e explicaram que o vô alfredo tinha falecido. não consigo recordar muito bem as palavras exatas, mas tiveram todo um cuidado para contar e nos preparar para a primeira grande perda de nossas vidas.

lembro que a dor que eu senti não foi por mim e sim pela minha mãe, que estava completamente arrasada e transtornada. não conseguia sentir tristeza, porque a história que nos foi contada por eles é simplesmente fantástica.

"o vovô alfredo estava enchendo o jarro de água quando pediu para a vovó continuar, porque o barulho da água deu vontade nele de fazer xixi. em seguida o vovô foi ao banheiro e morreu lá, sentado na privada."

imagino eu, com as calças arriadas e um baita sorrisão de alívio.



segunda-feira, 8 de março de 2010

sobre angústia e medo

"a ciclotimia é um distúrbio do humor. é uma doença afetiva que consiste em recorrentes variações de humor, entre hipomania e distimia ou depressão."

ser triste é uma opção, já me disseram isso antes.
só que tomar essa decisão que é difícil. já pensei várias vezes que a tristeza não combina comigo. mas ela encaixa. e quando chega, fica um tempão importunando minha consciência, meu coração e meu sono.

começo a avaliar o meu percurso de vida. a minha infância, a minha criação, a minha adolescência, o meu gênio forte e perigoso identificado aos 15 anos após brigas homéricas com a minha mãe, a minha dificuldade de concentração e aprendizado que me levou a reprovar por dois anos na escola e a sensação de dependência que sempre carreguei por alguém. seja esse alguém mãe/pai, irmãos, amigos ou namorados.

e nessa avaliação, para tentar manter o positivismo, consegui distinguir várias coisas boas que moldaram a minha personalidade e meu espírito esportivo super diagnosticado em meus momentos de "vamos divertir pessoas".

só que esse "vamos divertir pessoas" cansa pra caráleo. tem quem se assuste abruptamente à minha melancolia.
quando penso em procurar alguém para conversar ou desabafar, acabo frustrada com um "nossa, não acredito que é você, clara..." ou então um comentário preguiçoso, do tipo 'me deixa em paz', "sei. vai passar. já te falei isso."

é ruim procurar nos outros um consolo ou um carinho e ter que concluir que ninguém, nenhum deles, vai poder te ajudar. podem até acreditar que você sofre mesmo, mas de nada poderão ser úteis. isso só depende de mim, e pra mim, é isso o mais difícil: independer.

tenho por hábito, manter o dicionário virtual aberto durante o dia todo. e com esse auxílio vou descobrindo um pouco mais sobre as palavras. ao procurar por "independência", uma frase me chamou atenção. "caráter de quem rejeita qualquer sujeição".

depois de muito pensar em cima dessa frase, concluo novamente que jamais deixarei de depender. nunca vou rejeitar qualquer sujeição. não vou rejeitar depender de amigos, por mais inúteis que eles sejam no meu processo de "crescimento pessoal". nunca vou rejeitar depender de um namorado gostosão, tipo.

eu acho que relações são sensacionais. gosto de ver as pessoas se amando, amigos queridos felizes, pessoas dedicando tempo para a solidariedade, filhos pequenos dependendo da mãe para limpar a bundinha do cocô sujo... tudo isso é bonito e é prazeroso quando a gente sabe viver o amor como uma coisa do bem.

o difícil é viver esse bem como um estilo de vida. para depois vir o tempo e tirar de você toda a única razão do amor que você já conheceu na vida, como um monstro com as garras mais ferozes já vistas antes. perder pessoas não combina com o amor. "mas é o ciclo natural da vida". é um ciclo natural que nos destrói. nos tira nosso equilíbrio e deixa a alma completamente vazia. você fica sem norte e sem força de vontade alguma. no coração, um pouquinho de você morre também.

há 5 anos eu não durmo perfeitamente bem. e muitas vezes, acordo no meio da noite assustada com o ambiente do meu quarto, como se aquilo não pertencesse a mim. na mesma hora, me sinto outra pessoa em um lugar completamente estranho. são poucos minutos de intenso terror: abro os olhos e em volta não é o meu lugar e em seguida esqueço até do meu nome e me pergunto "onde estou e quem sou eu?". até lembrar que há 5 anos essa situação é comum, mas o terror não diminuiu em nada.

hoje eu não sou feliz por quem eu sou e tenho milhares de pessoas a minha volta pra dizer que minha vida é maravilhosa e que sou uma retardada por falar essas coisas.

mas dá licença que o sofrimento é meu e eu quero sentir, sem me preocupar se isso é idiota ou não.

abraços.