segunda-feira, 8 de março de 2010

sobre angústia e medo

"a ciclotimia é um distúrbio do humor. é uma doença afetiva que consiste em recorrentes variações de humor, entre hipomania e distimia ou depressão."

ser triste é uma opção, já me disseram isso antes.
só que tomar essa decisão que é difícil. já pensei várias vezes que a tristeza não combina comigo. mas ela encaixa. e quando chega, fica um tempão importunando minha consciência, meu coração e meu sono.

começo a avaliar o meu percurso de vida. a minha infância, a minha criação, a minha adolescência, o meu gênio forte e perigoso identificado aos 15 anos após brigas homéricas com a minha mãe, a minha dificuldade de concentração e aprendizado que me levou a reprovar por dois anos na escola e a sensação de dependência que sempre carreguei por alguém. seja esse alguém mãe/pai, irmãos, amigos ou namorados.

e nessa avaliação, para tentar manter o positivismo, consegui distinguir várias coisas boas que moldaram a minha personalidade e meu espírito esportivo super diagnosticado em meus momentos de "vamos divertir pessoas".

só que esse "vamos divertir pessoas" cansa pra caráleo. tem quem se assuste abruptamente à minha melancolia.
quando penso em procurar alguém para conversar ou desabafar, acabo frustrada com um "nossa, não acredito que é você, clara..." ou então um comentário preguiçoso, do tipo 'me deixa em paz', "sei. vai passar. já te falei isso."

é ruim procurar nos outros um consolo ou um carinho e ter que concluir que ninguém, nenhum deles, vai poder te ajudar. podem até acreditar que você sofre mesmo, mas de nada poderão ser úteis. isso só depende de mim, e pra mim, é isso o mais difícil: independer.

tenho por hábito, manter o dicionário virtual aberto durante o dia todo. e com esse auxílio vou descobrindo um pouco mais sobre as palavras. ao procurar por "independência", uma frase me chamou atenção. "caráter de quem rejeita qualquer sujeição".

depois de muito pensar em cima dessa frase, concluo novamente que jamais deixarei de depender. nunca vou rejeitar qualquer sujeição. não vou rejeitar depender de amigos, por mais inúteis que eles sejam no meu processo de "crescimento pessoal". nunca vou rejeitar depender de um namorado gostosão, tipo.

eu acho que relações são sensacionais. gosto de ver as pessoas se amando, amigos queridos felizes, pessoas dedicando tempo para a solidariedade, filhos pequenos dependendo da mãe para limpar a bundinha do cocô sujo... tudo isso é bonito e é prazeroso quando a gente sabe viver o amor como uma coisa do bem.

o difícil é viver esse bem como um estilo de vida. para depois vir o tempo e tirar de você toda a única razão do amor que você já conheceu na vida, como um monstro com as garras mais ferozes já vistas antes. perder pessoas não combina com o amor. "mas é o ciclo natural da vida". é um ciclo natural que nos destrói. nos tira nosso equilíbrio e deixa a alma completamente vazia. você fica sem norte e sem força de vontade alguma. no coração, um pouquinho de você morre também.

há 5 anos eu não durmo perfeitamente bem. e muitas vezes, acordo no meio da noite assustada com o ambiente do meu quarto, como se aquilo não pertencesse a mim. na mesma hora, me sinto outra pessoa em um lugar completamente estranho. são poucos minutos de intenso terror: abro os olhos e em volta não é o meu lugar e em seguida esqueço até do meu nome e me pergunto "onde estou e quem sou eu?". até lembrar que há 5 anos essa situação é comum, mas o terror não diminuiu em nada.

hoje eu não sou feliz por quem eu sou e tenho milhares de pessoas a minha volta pra dizer que minha vida é maravilhosa e que sou uma retardada por falar essas coisas.

mas dá licença que o sofrimento é meu e eu quero sentir, sem me preocupar se isso é idiota ou não.

abraços.


Um comentário:

  1. "mas dá licença que o sofrimento é meu e eu quero sentir, sem me preocupar se isso é idiota ou não."

    e eu jurava ser o único...



    Aqui acabo de ler pela segunda vez todas as suas postagens. E o que eu tenho a dizer?
    Que venha a terceira.

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