quinta-feira, 29 de abril de 2010

28 de abril


se vivo, faria 75 anos. daqueles bem vividos e felizes, cheios de sentimento, poesia e violão. um eterno escudeiro, paizão estilo sancho pança.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

amortecedores

têm vezes que é tão bom pensar em nada. não raciocinar. não lembrar das burocracias do dia seguinte ou de uma vida inteira.

têm vezes que a gente é vulnerável a nós mesmos. não dá pra deixar o desespero te controlar, afinal de contas, o resultado disso não é bom pra você, não é bom pra mim, não é bom pra ninguém.

têm vezes que trabalhar completa a alma de tal forma que, se só aquilo existisse na vida, independente do estresse, você seria a pessoa mais feliz do mundo.

têm vezes que é bom não amar. tem vezes que é delicioso ser egoísta, egocêntrico e dono de todas as razões. todo mundo tem o universo girando em torno de seu umbigo pelo menos uma vez na vida.

têm vezes que a cerveja ilumina e transcende como o verdadeiro líquido sagrado. à sua moderação, você pode transformar uma energia só com uma geladinha.

têm vezes que tudo é ruim - tudo mesmo. mas daí você dorme, acorda, e tá tudo bem de novo. e nessas horas você pensa que seus amigos foram fundamentais para te lembrar disso.

têm vezes que é massa fechar a porta e as cortinas, aumentar o som, segurar um desodorante e fingir ser rockstar. imagine também a platéia em chamas - é emocionante...

têm vezes que o silêncio quebra qualquer relação. daí você cai na real que tentar ser autêntico é fundamental, por mais complicado que isso possa parecer.

têm vezes que sonhar o impossível é bom. pelo menos isso te faz sair um pouco da realidade nua e crua, do pessimismo e da solidão.

têm vezes que "recordar não é viver". tem vezes que recordar é sofrer. mas talvez o sofrer mais bacana e justo que existe. daqueles que merecem ser sofridos, porque toda dor tem amor e todo amor tem dor.

têm vezes que errar machuca demais. mas a longo prazo pode parecer a coisa certa, mesmo que isso faça a sua consciência nadar no mar do arrependimento.

têm vezes que sempre têm vezes. sobe e desce, cai e levanta, chora e sorri, erra e acerta, ama e odeia, chove ou faz sol.

é isso, minha gente, é isso. a vida é isso.

saúde!




terça-feira, 27 de abril de 2010

vaidade

graças ao 'sistema astrológico' muito competente do blogger.com, tive uma surpresa jamais conhecida por mim no alto desses 26 anos pra lá de esmeros.

é isso aí, meu jovem. poderia ser barata mas não é - é rato.

a primeira sensação ao descobrir meu "ano do zodíaco", foi de repulsa. puta que pariu, qual foi o bróder que inventou a disposição desses nomes?

tudo bem. tudo na vida se supera. deve ter todo um embasamento psico-astrológico-teórico-físico-nuclear por trás disso e para mim, 100% leiga, pode até ser uma displicência julgar o método ou a cultura que fomenta essa merda. mas vamos combinar, né? se fosse algo como chinchila, hamster ou porquinho da índia, seria bem mais bonito, simpático e até mesmo poético.

passada toda minha indignação, procurei investigar o significado de pertencer a essa massa ratística 'à la' 1984. considero que a descrição do 'ser rato de acordo com o calendário chinês' não é tão ruim.

vamos de wikipédia:
"criativo, solucionador de problemas, imaginativo, trabalhador hiperativo e respeitado por sua capacidade em resolver situações difíceis. intuitivo, com a capacidade de adquirir e preservar coisas e valores. personalidade atraente."

veja bem querida astrologia chinesa, isso aí mais parece a descrição de um psicólogo recém formado e super empolgado em clinicar. não é o meu caso, eu não sei resolver problemas. me limito a ser uma publicitária sofredora em constante processo de incubação - hehe. vai ver que é por isso que nasci brasileira.

adeus, china!

domingo, 25 de abril de 2010

velha do quarto andar

desde o dia que descobri o que significava a palavra estressada, a minha vida mudou. pois é.

1995, 314 sul, bloco F, apartamento 506.
acho que quando eu nasci, pedi para ser levada e deu eco. acabei vindo três vezes levada. meu irmão nem tanto, sempre foi o 'centrado', se é que podemos dizer assim.

por conta da nossa pouca diferença de idade (1 ano e 1 mês), acabávamos por nos enturmar com a mesma galerinha. e sempre uma galerinha do mal. a gente tinha em casa, duas gavetas grandes (pelo menos naquela época parecia bem grande) de peças de lego. montávamos verdadeiras cidades com aquelas pecinhas e até mesmo aeroporto. a imaginação era infinita na hora de inventar histórias.

em um desses finais de semana intermináveis para a criançada, juntamos alguns amigos para a farra. era sempre um momento histórico quando recebíamos amiguinhos para dormir lá em casa. veio a camilinha, representando o time das meninas e o andré veloso representando o time dos meninos.

a hora mais esperada da noite, era aquela em que nos sentíamos completamente independentes. os pais foram dormir, agora era questão de 30 a 40 minutos pra gente poder começar a brincar com as gavetas ou com a recém conhecida internet (nos meandros de mirc e até mesmo icq).

vamo lá, galera. pais dormindo. quarto só nosso. 4 moleques. chegou o momento de dominar o mundo, mesmo que por poucas horas. até então não cogitamos a possibilidade de morarmos em um apartamento. logo se conclui - apartamento com vizinhos. ou melhor, vizinha. da pior espécie: velha, coroca, perturbada e é claro, estressada.

no apogeu do nosso oba oba da madrugada, com quase uma cidade montada sobre nossos pés e sobre a cabeça de nossa vizinha, escutamos o aviso: batidas no nosso chão com cabo de vassoura. até aí, tudo bem. belo pedido de silêncio - educadamente. aquilo não nos bastou. mais pareceu uma afronta, afinal de contas estamos nos divertindo, com o mundo que sonhamos e idealizamos - sai pra lá, vizinha!

ignoramos o soar daquelas cutucadas e mesmo na tentativa de manter o silêncio, o êxtase e a independência eram tão grandes, que o autocontrole foi por água abaixo.

não mais esperávamos, ouvimos um barulho estrondoso, bem mais perto de nossas cabeças dessa vez. a velha se emputeceu e levou o cabo de vassoura até a nossa janela. naquela época (e até hoje) os apartamentos possuem uma grade de ferro como proteção. imagine você o barulho, às 4 da matina, de um cabo de vassoura correndo sobre as grades da sua janela.

os 4 moleques ficaram em um alerta muito assustador. sentimos que era hora de dormir. os corações pulavam feito cavalos furiosos e quase imaginamos uma guerra nuclear para nossa humilde cidadezinha de lego.

na hora em que nos demos conta de que o estrondo era apenas um cabo de vassoura e um protesto contra o barulho, meu irmão dotado de uma inteligência bastante significativa, registrou sua indignação com a derradeira frase: "essa velha é uma estressada!!!!".

mais assustados ficamos com aquela nova palavra que adquirimos para o nosso limitado vocabulário digno de 4a série. os créditos ficam por conta do seu omissor, que diferente de nós, não quis deixar barato.

preparamos uma vingança para o dia seguinte.

tudo planejado. tio ronald mc donald e tia maria helena no trabalho. papel branco, caneta, habilidades manuais e disposição.

depois de pesquisarmos no dicionário a palavra estressada, achamos super coerente presentear a nossa vizinha do quarto andar com um elogio à altura de sua sanidade mental. fizemos 10 aviõezinhos de papel, o suficiente para podermos errar o alvo - a janela de baixo. escrito em cada asa desses aviões, vinha o entitulado: velha estressada.

nossa missão foi um verdadeiro sucesso. conseguimos acertar a marca de 7 aviões, ou seja, velha estressada 7 vezes. passamos uma manhã digna de verdadeiros reis, felizes, amados e vitoriosos.

e isso tudo para apenas concluirmos que estressados todos são. menos as crianças, que conseguem criar um mundo fantasioso e esse mundo ser respeitado até por uma velha cheia de varizes e artrite.

o final foi feliz pra todo mundo. quer dizer... menos pra minha mãe que teve que discusar sobre a educação que dava aos seus filhos, quando a velha apareceu lá em casa com os 7 aviões em mãos.

rodamos no castigo, felizes por mais uma palavra compondo nosso dicionário infantil.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

sustente-se

hoje seria um dia típico para um post melancólico. mas daí eu lembro dos desastres prevendo um 2012 e concluo que a minha angústia é tipo uma formiga com a plaquinha de basta baygon.

não sei se é a gente que cresce e percebe com mais sensibilidade os problemas do mundo ou se a natureza tá realmente frustrada com a nossa relação nada recíproca.

outro dia tomei um suco na rua e na caminhada de volta à agência, fiquei agoniada com aquele elemento de plástico na minha mão, sentindo a ansiedade em me desfazer do mesmo imediatamente. pela primeira vez refleti com consciência ecológica que despejar o copo no asfalto, poderia representar a angústia da humanidade.

nesse momento, reparei que a minha melancolia pode ser sanada quando outros problemas são hiperdimensionados ou quando conseguimos ter mais carisma para entender os nossos. presenteei a lixeira com o copo - e olha que eu nem sou ecochata.





terça-feira, 13 de abril de 2010

salvo o amor

"eu nunca sonhei com você
nunca fui ao cinema
nem gosto de samba..."

eu não sei nada sobre você. do mesmo jeito que nunca saberei nada sobre mim. mas meu coração mantém a saltos felizes e silenciosos, o amor que sinto por você.



segunda-feira, 12 de abril de 2010

teoria do bem viver

você tá vivo - massa. você lê, você escuta, você respira - muito massa mesmo.

até aí, tudo bem. imagina se a gente precisasse raciocinar para fazer coisas simples, como comer, andar, respirar e dormir...

um, apenas um, desses hábitos corriqueiros nós temos que ter todo e o maior cuidado, o tempo inteiro, de segundo a segundo. precisamos aprender a controlar cada palavra que falamos. isso pode parecer um pouco neurótico a princípio, mas ainda não conseguimos mensurar nesse plano espiritual, o quanto as palavras tem poder.

claro que elas vêm acompanhadas de uma bela expressão facial, caso você não use botox e não seja tão esticado quanto a ana maria braga. mas vale a pena começar a refletir sobre o bom uso das palavras.

pratique o exercício para o bem geral da nação. no trabalho ou em casa, todo mundo sai ganhando. as palavras afetam emocionalmente e podem ser grandes divisores de água dependendo de seus impactos.

pedir esse controle minucioso pra qualquer um, é um grande desafio. eu mesma, aqui, com a bunda quadrada, não consigo imaginar viver esse equilíbrio nem aos 83 anos de idade, que dirá aos 26. mas sei lá, vamos lançar esse desafio à todos nós, dotados de boas almas e alto carisma, para assim, não corrermos aquele risco de perder relações e vínculos por coisas ditas brutalmente ou coisas não ditas erroneamente.









terça-feira, 6 de abril de 2010

peter pan é o meu herói

hoje eu não posso reclamar.

acho que todo mundo devia aprender a apreciar a vida, ao invés de perder um tempo danado lamuriando momentos passageiros, que podem até ser desesperadores. mas, cá pra nós, a vida é boa demais por aqui e com certeza, por aí também.

já tem um tempo que as convivências me ajudam a crescer em tudo. é bonito enxergar numa pessoa que você admira e ama, uma sinceridade absoluta com o intuito de te fazer crescer, mesmo você sendo alvo de críticas chatas. o importante é a gente aprender a usar a energia do outro, a nosso favor. não interprete isso como tomar a energia do outro - não. digo que podemos usar as críticas que recebemos, como um ponto totalmente positivo para um crescimento intelectual.

a gente limita as nossas oportunidades, porque nunca conseguimos acreditar que qualquer coisa pode ser uma oportunidade.

sempre fui muito preocupada em ser feliz, desde pequena. e criava teorias e fantasias para a felicidade 'funcionar'. discutia horas e horas com a minha mãe, sobre como ser feliz. e ela, com sua experiência e tranquiladade sempre me respondia a mesma coisa; "você vai fazer a sua felicidade, minha filha... você vai saber como". mas aquilo me parecia muito pouco provável, eu tinha que planejar, minha ansiedade era imensa.

até que um dia, cheguei à conclusão clara e cega de que para mim e para aquelas outras três pessoas que moravam no mesmo lugar que eu, que a vida seria infinita. todos nós éramos imortais. certeza absoluta. ninguém jamais, ali, naquela casa, na 309 sul, ia morrer. todos nós envelheceríamos juntos e a nossa pele nunca iria se desfazer.

isso criou em mim uma expectativa de felicidade absurda. parei de me preocupar com o tempo e com o espaço (e reprovei de ano). e na tal da 'síndrome de peter pan', reparei que a minha felicidade era aquela. aquela que eu criaria, já me era palpável. a sensação de jamais morrer e jamais perder alguém, me deixava extremamente feliz.

tá. tudo bem, eu tinha11 anos de idade. nada poderia ser tão normal, como não acreditar na morte. mas essa estória de que você cria a sua felicidade, que o seu dia e todos os seus momentos dependem unicamente das suas escolhas, é a coisa mais real do mundo.

a vida é um turbilhão constante, diário. e cara, dá pra ser feliz demais. dá pra contemplar a vida por simplesmente ter um computador para 'desperdiçar' as palavras, ou sei lá, amigos para a breja gelada no final do dia.

e olha só, meu nome é claralice e posso ser uma futura autora de best-sellers sobre auto ajuda. muito prazer.