terça-feira, 18 de maio de 2010

primeira vez

lembrei a primeira vez que me apaixonei. aquela fatídica vez em que a gente descobre que tem que enfrentar o universo pra poder amar em paz. logo na minha primeira vez foi assim.

vamo lá, uma boa dose de saudosismo.

1995, 5a série, escola paroquial santo antônio. várias menininhas sendo convertidas. convertidas daquela fase em que os meninos são literalmente chatos e insuportáveis e passam a ser gentis e interessantes.

começamos a usar short. um short super adaptado, que na verdade, por debaixo da blusa, escondia um truque do que seria o verdadeiro bermudão. mesmo inconscientemente (ou consciente), já percebíamos o que agradava a massa masculina. e assim, resolvemos dobrar o bermudão tosco para impressionar nossos alvos (hoje em dia, isso é muita modernidade pro meu gosto).

truque muito bem aplicado, viu? mal começou o ano letivo e todas nós, alunas da 5a série D, já tínhamos um amor para bisbilhotar na hora do recreio. na época, era muito cafona ir pra cantina. o pop era assistir o futebol dos garotos, que saiam do jogo completamente encharcados de suor, tendo como platéia várias garotinhas suspirando - apaixonadas. era muita emoção.

felipe berga. esse era o nome dele. baixinho, parrudinho e sorridente. um tanto quanto levado; vira e mexe passava por minha sala em direção à coordenação. mas o que me deixava mais apaixonada, eram seus cabelos. ah, que cabelos! aqueles do estilo cuia, sabe? pra melhorar mais, na hora do futebol essas madeixas carregadas ficavam pingando de suor. naquele momento, aos 11 anos de idade, comecei a perceber o que era ser sexy.

dito e feito. o berga me reparou. olhares na hora cívica, gols no recreio para impressionar e um bilhetinho no final do dia: 'quer namorar comigo?' (daí ele desenhou um quadradinho com a legenda sim e outro quadradinho com a legenda não).

que êxtase! que frenesi! a minha vontade era marcar aquele incrível quadrinho do sim, sim, sim, sim, mil vezes sim!!! aqueles cabelos, aquele sorriso e aquela malemolência... tudo isso em um só, me pedindo em namoro pela primeira vez. mas não. já naquela idade, carregava um feminismo orgulhoso dos brabos - engoli a ansiedade.

voltei pra casa com aquele bilhete (praticamente premiado) e mal consegui dormir, imaginando que no dia seguinte eu estaria namorando (sem nem saber da TRETA que isso significa).

pronto. agora eu poderia me considerar uma senhorita berga. podendo demonstrar diretamente toda minha admiração por aqueles cabelos esvoaçantes e suados. admiração essa, com prazo de validade.

um belo dia, dona maria helena desconfiada do meu constante bom humor e efusividade, resolveu me surpreender no colégio. e mãe é mãe, né? bem exatamente nessa hora, eu tava de namorico em um quiosque escondido, nas entranhas do santo antônio (irônico, ahn?). o namorico se resumia a conversas (que a pauta devia ser cavaleiros do zodíaco), mãos dadas e em momentos raros, abraços. o resto ficava por conta do olhar, e que olhar. pronto, descobri o amor.

minha mãe não gostou de ver a filha dela sozinha, aparentemente escondida com um rapazinho de meio metro de altura (claro q ele era menor que eu, né?), começando a entender o efeito da paixão sobre a vida. acho que tudo isso era proteção mesmo - e dá pra entender perfeitamente.

pelo menos a inteção do amor ficou. aquele amor simples, só de olhar. o beijo mesmo, conheci aos 14 anos. e o nome dele era pedro ivo. e os olhos... eram verdes.









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