terça-feira, 1 de junho de 2010

saudade feliz

outro dia desses tava lembrando do bigode.

bigode foi meu amigo imaginário no auge da minha fantasia, dos 8 aos 12 anos. era proveniente do meu armário e tinha um corpo longo e totalflex. um dia, ao deitar, abri o armário com prateleiras onde guardava o edredon e ele saiu junto. bigode.

pois é. apesar de um pouco repressor, bigode era uma ótima companhia. repressor porque sempre reclamava de sair do armário e ter que ficar sentado com pernas de índio em cima da minha escrivaninha. também reclamava muito do horário em que ia dormir, queria que fosse mais tarde.

diariamente, era um resmungo só para abandonar o espaço apertado do armário e se esticar mais perto de mim. mas passada a chateação, danava a conversar comigo sobre tudo. sabia dos meus anseios e ambições (que naquela época era conseguir colocar a maior quantidade de balinhas 7 belo na boca de uma vez só), conhecia minhas manias, e é claro que se incomodava com todas elas. mas, mesmo assim, sabia que de alguma forma tinha que me proteger de todo o mal.

isso que mais me admirava no bigode. seu jeito grosseiro com o coração mole. sempre falava que o amava e que adorava quando ele me esperava dormir. em resposta às minhas declarações de amor, apenas resmungava, como se eu fosse um erro.

teve um dia que tivemos um problema inesperado e assustador. depois da nossa conversinha diária, desliguei meu abajur azul com babadinhos e fomos dormir. no meio da madrugada, por volta das 2 ou 3 horas da manhã, fomos surpreendidos com um baita curto-circuito na tomada do meu abajur. foi uma explosão enorme, com direito a faíscas para todos os lados! gritei, por causa do susto, mas não desesperei.

de repente, olho pra porta do meu quarto e lá estão parados meu pai, minha mãe e meu irmão, que ficou completamente em pânico, esperneando, chorando e me apontando os braços (muito lindo ele!).
depois daquele pipoco todo, continuava na minha cama, um pouco extasiada, mas mesmo assim, bem tranquila.

ergui as mãos para os familiares à porta e gritei "calma gente, o bigode tá aqui, o bigode tá aqui!!!". no momento, eles não questionaram quem seria o tal do bigode. me tiraram do quarto e me colocaram para dormir com meu irmão. tá bom, né? dei a mão pro pablo e apaguei.

ao acordar, soube que meu irmão não fechou os olhos durante toda noite, com medo de acontecer algo a mim ou a nós. e fui parar na psicopedagoga porque não consegui explicar quem era o bigode.

mas que ele existiu... ah! existiu, viu?!


Um comentário:

  1. Adorei!!!! Nunca tive um bigode... ainda não tenho... mas deve ser super bom! =)

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