quinta-feira, 29 de julho de 2010

quintana e eu

sou filha temporona. minha mãe mudou para brasília em uma fuga estarrecedora para ser feliz com o homem que ela amava em silêncio por 9 anos.

o sonho começava a se tornar realidade: brasília, a cidade projetada, o ronald e a empresa que eles tanto sonhavam em criar. ela se matriculou em um curso na unb e comprou uma bicicleta. 40 anos, nova vida, novo canal, novos ares - tudo plano, feito o equilíbrio que se esperava há muito tempo.

ele, bigodudo e intelectual. só sonhava em ter paz. paz, cigarro, maria helena e cerveja. até já era avô, mas mesmo assim não se sentia completo imerso na vida que sempre pareceu vazia e desonesta. mas a sua solução tinha um nome composto, vocês sabem, né?

deu certo, transbordaram de amor logo nos primeiros meses de capital federal. pareciam viver uma lua de mel in-ter-mi-ná-vel. a bicicleta teve que ser aposentada pela gravidez, porque depois de um, veio a outra.

daí quintana me lembrou de uma coisa que faz muito sentido para mim: "nasci muito tarde em um mundo muito velho". e é só isso que tenho para dizer... mesmo se você ficou sem entender (e eu brilho na rima).


segunda-feira, 26 de julho de 2010

hola, que tal?


agosto, à gosto. gostoso mês de agosto (tá, parei).
foi confirmada a derradeira data da festa do bigode. homens e mulheres, preparem seus bigodes desde já. acendam os refletores e apurem os tamborins, falta muito pouco!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

por uma vida menos ordinária

seja menos ordinário.

reclame menos, trabalhe mais, beba com moderação, estude excessivamente, pague as contas em dia, seja simpático e cordial, faça uma surpresa para a sua mãe, compre um fiat uno e viaje pelo interior de minas gerais (itinerário estrada real), aprenda a fazer guacamole com tequila para enlouquecer sua mulher, seja divertido para chamar atenção, acredite em amor à primeira vista e que fidelidade vale a pena, tenha sempre um chocolate no bolso e seja autor do melhor feijão do mundo.

compre uma bicicleta e se case em seguida, abra uma agência de relacionamentos para fazer as pessoas felizes, creia em deus e tenha fé, aposte no cavalo certo no dia do jockey, cante no banheiro e faça do shampoo um microfone, vá ao show da sua banda preferida e descubra que amor platônico é possível sim, mate um pintinho aos seis anos e ache graça aos vinte e seis, seja perseverante com o impossível, aprenda a usar arco e flecha e acorde mais cedo para ver o nascer do sol no lago paranoá.

depois de tudo isso, vista a sua roupa mais ridícula, coloque um binóculo no pescoço e vá passear no supermercado.

boa tarde, minha gente.

domingo, 18 de julho de 2010

cmte. pablo castello branco


tô passando o final de semana na casa do meu irmão (sem ele, mas tudo bem). e mesmo lotada de trabalho e tentando adiantar algumas coisas, posso garantir: dos últimos finais de semana que vivi, esse foi o melhor, disparado.

não vou conseguir enumerar os porquês, simplesmente foi. reparando no capricho dele com suas coisas, comecei a recordar muito da nossa infância, pensando no intenso sonho que nós vivemos. tantas histórias próprias, peculiares e cheias de maravilhas... recordei também das histórias duras, perdas irreparáveis e dificuldades jamais planejadas e mensuradas.

quando começamos a sentir que o sufoco estava finalmente passando, jamais esquecerei da frase dita por ele, ao término de mais um almoço na zimbrus: "mana, acho que estamos conseguindo atravessar o túnel, porque já consigo enxergar a luz".

é isso, a gente passou pelo túnel. confesso que sentir a luz forte batendo na cara é muito mais confortável. mas confesso também, que precisamos de todas as batalhas para conquistarmos a vida com tanta vitória.

fica aí uma homenagem pro meu irmão, que é toda a minha família em um só. thanks for everything.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

cadillac of the skies

hoje tô meio singular. tentando entender algumas coisas sérias que nos fazem capotar da vida, e reparar que tá tudo precisando de conserto. conserto de arestas. vai me dizer que você nunca passou por isso? "aham cláudia, senta lá".

steven spilberg nem é o cara, pra mim. nunca foi, aliás. vi um filme ou outro, mas no esquema leigo de ser, só por hobby. não gostei de jurassic park, me dá a maior preguicinha de filmes assim. mas tá, tudo bem, gostei de 'ET', gostei de 'além da eternidade', gostei de 'de volta para o futuro', 'o resgate do soldado ryan', 'mib'... é, tá, gostei de muitos.

mas um em especial, deu uma bela laçada no meu coração - e olha que só vi um trailler fajuto. família é um negócio muito louco mesmo. só por causa de um molequinho gritando "p-51, p-51!", meus batimentos cardíacos já se alteraram. e nessas horas começo a compreender muitas coisas dentro de mim, principalmente a emoção à flor da pele. o filme tem quase a minha idade, 1987 (realmente tô velha mas, não se preocupe, já uso renew), e meu irmão nem precisou falar que era a película preferida do meu pai para perceber que a paixão será sempre inexplicável, mas para sempre será paixão.







quinta-feira, 15 de julho de 2010

mustache, muchacho


recebi esse teaser no início da semana. e até agora tô sem palavras. aguardem maiores informações.


quarta-feira, 14 de julho de 2010

loucademia é a vida, mermão

um policial me ajudou - juro pra você.

não, não fui assaltada, sequestrada ou sei lá. e quando meu pneu furou num domingão às 2 da manhã não tinha nem sinal de polícia na minha frente.

tava eu lá me divertido deveras no calaf, disposta a ir embora cedo, afinal de contas o dentista me traumatizou e balada na segundona não combina com disciplina (tô tentando melhorar).

de repente anunciaram no microfone que estávamos cercados por todos os lados. bêbados do meu brasil, a blitz tá no funil (sei que não tem nada a ver, mas foi só pra rimar).

daí né, metade do público presente resolveu encher a lata (meu irmão então, que o diga). eu tentei manter a parcimônia, anti-inflamatório... sabe como é. quando vi que a hora programada estava próxima, resolvi mergulhar na coca-cola e foi o som.

fui a primeira a ir embora, por votação democrática. além do sono, eu era a menos bêbada (mas te garanto que a mais divertida - hehe). fiquei meio tensa quando o digníssimo flanelinha me aconselhou a ir pela frente mesmo, a possibilidade de parar seria menor.

lá fui eu, rezando um pai-nosso e acreditando que meu anjo da guarda estava sentadinho no meu ombro. fudeu, o policial fez sinal para parar o carro. na mesma hora desci o vidro, acendi a luz e fiz aquela cara de calma e equilíbrio digna de artista global. desejei boa noite e passei os documentos para o indivíduo.

nesse momento descobri que até policial tem preguiça de trabalhar (novidaaaaade). o "soldadinho" me olhou com cara de bunda forever, perguntou porque meu documento era de belo horizonte e quis saber onde eu morava. respondi tudo bonitinho, tentando até puxar um papo amigável, como de costume.

até que então, o policial veio com toda a sua sabedoria preguiçosa e disse, "não precisa explicar tanto. vai logo antes que 'os cara' vem aqui. não explique nunca. vá para casa, boa noite.".

no caminho até em casa, fiquei meio perplexa. não só porque sou dramática, mas também porque fiquei embasbacada com a preguiça do cidadão. e principalmente com seu conselho, que resolvi guardar na principal pasta do cérebro que tem o nome de "aprendi na merda".

tá vendo? um policial me ajudou. e pode te ajudar também, amigão. é isso aí, não explique, nunca. o que quer que seja. não vale a pena.

e o anjo da guarda tava sentado no meu ombro... só que me beliscou (se beber, não dirija).


terça-feira, 13 de julho de 2010

e agora, josé?

"a ilusão da simplicidade excessiva, deixa o complexo ingerenciável. simplicidade é abraçar as variáveis, não ignorá-las por teimosia."

dorme com essa aí, amigão.

márcio svartman é blogueiro também: http://marciosvartman.blogspot.com/

melhor que isso, só dois disso

cara... tem dias que me preocupo realmente com a minha sanidade mental. eu já aceitei que sou meio esquisita e diferente, que dou umas vaciladas estratosféricas, mas todo mundo me adora. acho isso genial, aliás. sou uma filha da puta com você, e você tá aí do meu lado. tolice, heim?

sem mais delongas, preciso desabafar.

fui no dentista ontem, né? e foi o primeiro retorno após a fuga. no mês passado, tinha uma consulta marcada para fazer um check-up. pior que dentista, só avião, então você já pode imaginar o pânico. o dia foi chegando, chegando, chegou. daí, né, fui lá.

mãos geladas e discretamente trêmulas, coração com taquicardia e pés suados. nessa hora, passa um filme da minha vida na imaginação e começo a buscar meios para o auto-boicote.

nesse caso, posso afirmar que a dentista não cooperou. além de se chamar iglê, ao invés dela me atender assim que "aceitei" deitar na sua cadeira mortífera, antes do processo entristecedor ela resolveu fazer uma prévia no banheiro - xixi talvez. pronto, essa foi a derradeira hora em que a imaginação criou asas, literalmente.

dentista no banheiro? clara fugindo. saí correndo do consultório, cruzei a sala de espera que nem um furacão e optei pelas escadas do prédio, em total clima de missão impossível, uma fuga cheia de adrenalina.

quando me encontrei em paredes seguras, foi um alívio só! meu telefone disparou a tocar, claro. a dentista deve ter achado que usei alguma pílula para desaparecer. mas foi simples assim, levantei da cadeira e zarpei.

conclusão dessa palhaçada toda: só adiei um problema (aliás, essa é uma modalidade da vida que eu tenho MBA). tive que voltar na dr. iglê ontem, e hoje sou dona da bochecha esquerda mais gordinha do DF.



segunda-feira, 12 de julho de 2010

é fofinho e suculento

o cara do pão de mel.

sempre chega sorrateiro, de repente aparece uma mala vermelha em cima da minha mesa, e com um belo sorriso branco de negão, carinhosamente pergunta "clarinha, quer de coco ou leite condensado?".

sua gentileza é tão peculiar, que me dá vontade de comer oitocentos pães de mel. agora já aprendi a controlar a minha ansiedade e a tara pelo chocolate. pior era no início, que comprava 5 ou 6, sempre com o intuito de levar pra minha tia, pro bofe, etc. . agora tô conseguindo manter a marca de apenas 1 - palmas pra jesus!

engraçado foi quando comecei a reparar mais no getúlio (nome do féla). ele combina a cor da blusa, com a cor da malinha térmica que carrega seus pães de mel. pois é, é verdade. mala azul? blusa azul, mala vermelha? bluza vermelha, mala cinza? bluza cinza.

hoje, em especial, acho que deu alguma coisa errada no life style do getúlio. ele estava com a mala vermelha e a bluza cinza. isso me preocupou. será que é desvio de humor? ou a mala cinza rasgou? não consegui perguntar, mas vou guardar a dúvida até sexta-feira, dia de sua próxima visita.

enquanto isso, devoro o pão de mel sabor coco, pensando em aproximadamente 500 calorias à queimar, xingando o pobre do getúlio por ser instrumento da minha tentação.

interessante

lenine resolveu voltar a ser o protagonista da minha vida. bom pra mim, vamos dizer. as poucas horas que consegui dormir essa noite, sonhei com uma vida em "slow motion", onde a trilha sonora era, nada mais nada menos que "é o que me interessa", música do álbum labiata.

o sonho parecia uma mentira. tudo parecia devagar demais e ao mesmo tempo, muito rápido. uma bela resposta para o que já cheguei a acreditar que pudesse ser amor. e é por isso, meus caros, que vou me manter no platônico, feliz com meu pernambucano cinquentão.


daqui desse momento
do meu olhar pra fora
o mundo é só miragem

a sombra do futuro
a sobra do passado
assombram a paisagem

quem vai virar o jogo
e transformar a perda
em nossa recompensa?

quando eu olhar pro lado
eu quero estar cercado
só de quem me interessa

as vezes é um instante
a tarde faz silêncio
e o vento sopra a meu favor

as vezes eu pressinto
e é como uma saudade
de um tempo que ainda não passou

me traz o seu sossego
atrasa o meu relógio
acalma a minha pressa

me dá sua palavra
sussurra em meu ouvido
só o que me interessa

a lógica do vento
o caos do pensamento
a paz na solidão

a órbita do tempo
a pausa do retrato
a voz da intuição

a curva do universo
a fórmula do acaso
o alcance da promessa

o salto do desejo
o agora e o infinito
só o que me interessa

sexta-feira, 9 de julho de 2010

jesus cristo tem disco rígido

vamos lá, eu vou tentar.

tentar explicar, para tentar entender. tentar raciocinar como a vida precisa apenas de 3 a 4 segundos para mudar completamente. 3 a 4 segundos que dependem da sua escolha, daquele titubear no percurso.

abrir o coração sempre foi uma coisa deveras complicada para mim. principalmente quando ele foi fechado por uma ruptura desconfortável e indesejável. nesse momento, restou o silêncio e o descanso.

passei a ser o meu próprio amor. acreditei veemente na marisa monte, que garantiu pra mim que não é impossível ser feliz sozinha, colocando em cheque toda a malemolência do sub-pai do amor, tom jobim (porque o pai né, brodér... meu velho vinícius, saravá!).

mas de repente, vem o tempo e pimba! muda tudo. de forma assustadora, transforma suas percepções sobre a vida e sobre as pessoas. e até mesmo o seu ceticismo sobre jesus cristo.

você passa a acreditar em milagres. e o pior (não tão pior assim), você passa a acreditar que pode evitar milagres se souber administrar a vida com mais responsabilidade.

e daí você lembra que viver como hank moody não leva a nada. apenas te trás felicidades momentâneas e utópicas.

mas acordar é bom. e fazer um backup na máquina é melhor ainda. por isso, eu digo: pode vir, vida. eu ainda tenho a minha capa invisível de super herói. ela tá remendada, mas tá zero bala.

meu pintinho amarelinho

meus caros, já tive um pintinho amarelinho.

bela manhã de sábado, verão de 1990.

eu era uma menininha muito faceira. meio gordinha e muito loirinha, daquelas simpáticas e espertinhas, que todo adulto adora. não é prepotência não, eu era assim mesmo. depois de crescida, minha mãe confessou que morria de medo de me sequestrarem, tamanha a minha habilidade precoce com o ser humano.

sem mais delongas, vamos ao pintinho.

na tal manhã de sábado do tal verão, fomos passar um dia na recém inaugurada chácara do tio gabriel. o que eu mais gostava nessa história era a sua mulher, que também se chamava clara. para mim era um máximo conhecer uma adulta com o mesmo nome que o meu!

mas isso passou despercebido quando a farra mudou de nome. a onda do momento era espionar a galinha chocando os ovos. isso foi rápido, a danada da galinha devia ter o rabo quente. chocou 5 ovos com pintinhos amarelinhos daquela espécie mais fofa do mundo.

eu praticamente esperniei. pulava de alegria vendo aqueles negocinhos coloridos tentando andar. insisti, insisti e insisti. venci meu pai pelo cansaço (essa sempre foi a minha melhor tática, o cansaço), e peguei um pintinho. com a aquisição em mãos, começava a mirabolar planos e razões para convencer meus pais de levá-lo para casa. com ele, a vida parecia tão mais feliz, tão mais... amarela.

dito e feito, tudo amarelou de vez. não sei ao certo o que aconteceu, afinal de contas, já se passaram 20 anos e minha memória não é lá essa coca-cola toda. mas depois de muito beijar, apertar e acariciar o tal do pintinho amarelinho, um certo momento reparei que ele não se mexia mais. nada, nenhum tremiliquezinho. não piava mais e os olhos pareciam vagos. tentei "reanimá-lo", no meu mais medíocre jeito infantil de ser. nada, nenhum sinal vital.

depois de horas andando pra cima e pra baixo com as mãozinhas fechadas (como se escondesse alguma prova de algum crime), chegou a hora de ir embora. ou seja, chegou a hora do meu desespero. teria que contar pro papai que matei o pintinho sufocado, o tio gabriel acabaria com a amizade deles e meu pai me odiaria para sempre (nasci com o hormônio máximo do drama).

tentei disfarçar muito, mas minha experiência não permitiu. quando abri as mãozinhas, o papai teve uma reação totalmente inesperada. na hora que reparou na minha cara de desespero e viu que o pintinho não tinha mais vida, soltou uma baita gargalhada - bem ao seu estilo, aaaaalta e longa.

na hora fiquei meio sem entender, mas a princípio, rolou um alívio. se ele tá rindo, não deve ser tão ruim assim. pelo menos percebi que não seria presa para sempre no quarto, tendo como punição meu vizinho de cama e peidorreiro, pablo henrique.

após a longa e alta gargalhada "à la" tio ronald mc donald, o papai resolveu me explicar que matar pintinhos sufocados era a coisa mais normal do mundo e que eu podia ficar sossegada. e ainda completou! disse que já tinha matado vários pintinhos na vida, e que comigo seria assim também.

claro que não foi, né? ele nunca mais me deixou chegar perto de bichinhos pequenos (claro que discretamente). mas mesmo assim, teve a arte de me livrar de um trauma. belo papai o meu.

mas o tal do pintinho amarelinho, tadinho... que coza triste. rezo por ele até hoje, onde quer que esteja.

será que tem um paraíso exclusivo para pintinhos amarelinhos?