sábado, 7 de agosto de 2010

7 de agosto

tony bennett era seu ídolo. fazia qualquer coisa por um cigarrinho e um café no fim da tarde (e durante o dia inteiro, melhor dizendo). não cozinhava bem, mas brilhava no purê com carne moída. vejam vocês, ela gostava de feijão gelado com pão.

já foi modelo na frente do louvre. inventou uma língua imaginária para fazer sua filha feliz. não gostava de avião, mas admirava o sonho do mais velho. sempre muito calorosa, não conseguia falar baixo em nenhuma situação.

se bebesse um golinho de vinho, não conseguia parar de rir. ganhava flores do marido aos domingos e acreditava piamente em santa terezinha. usou um palitinho de cenoura do drink como se fosse canudo e pagou o mico do século com o recente namorado.

batalhou por um amor e foi vencedora. detestava brasília, o clima e as pessoas, mas não conseguia viver em outro lugar. se irritava com a quantidade de papel higiênico que a exagerada da sua filha gastava para limpar o xixi e insistia que o bidê poderia ser útil.

a quinta avenida era seu sonho de consumo. lia lya luft e chorou pela morte da elis regina. sua loja preferida chamava strige, mas gostava mesmo é de calça jeans velha e surrada. os cabelos curtos rejuvenesciam sua aparência e deixavam à mostra o pescoço mais lindo que já conheci.

pro filho ensinou que o céu era o limite - e ele aprendeu direitinho. pra filha, ensinou que a melhor saída é uma boa piada - e, claramente, ela aprendeu. o resto ficou por conta da bossa nova, dos livros, das lições de sabedoria, do violão, dos abraços e beijinhos e carinhos seeeeem ter fim...


it's up to you, nenena.


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