sexta-feira, 20 de agosto de 2010

o meu personagem sou eu

diariamente procuro pelas mãos, vestígios de novas pintas. abro sete vezes o calendário embutido que tem na minha caneta (juro por deus). tomo cerca de 3 a 4 latinhas de coca-cola e devo falar "ó p'cevê" em quase todas as frases.

diariamente nasce um roxo diferente na minha perna. grande ou pequeno, forte ou fraco - todo o santo dia nasce um novo. tomo pó de guaraná mesmo se estiver no ápice da minha agitação, parece meu carregador.

diariamente erro o lugar da vírgula nos meus textos. diariamente, quase a metade deles são reprovados. e todos os dias, aprendo a falar melhor sobre o que quero e da forma que quero.

diariamente fico, pelo menos, 2 minutos na frente do espelho fazendo careta, o que é uma excelente tática para elevar a auto-estima. passo hidratante nos pés, mesmo achando que não faz a menor diferença.

diariamente penso em jogar na mega-sena, mas nunca fiz isso na vida. do mesmo jeito que penso em tentar ser mais séria e não consigo. diariamente compro chocolate na conveniência e como pensando em algum amor (sério, véi).

eu sempre sou a mesma pessoa, diariamente. me dá um alívio isso. acabei de quebrar meu calendário embutido...


Um comentário:

  1. Vou pegar emprestado um soneto que escrevi pra uma grande amiga/irmã pra completar esse comentário.


    E eu que não queria ser igual
    Me tornei mais que diferente
    Como se fugisse da mesmice
    De uma pessoa que não era eu

    Inquieta com um instinto visceral
    De um ímpeto inconseqüente
    Que foge da chatice
    Num ritmo que é só meu

    E é assim que sou
    Sem querer me definir
    Mas sendo eu mesma

    E é assim que vou
    Sem querer me ferir
    Nunca sendo a mesma

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