quinta-feira, 18 de novembro de 2010

motoboy

o motoboy me ama. finalmente ele se declarou.

toda semana era motivo de pânico para mim nas quintas-feira. é dia do marcel ficar por conta de levar e trazer as notas fiscais dos fornecedores e veículos de comunicação. ele entra e sai da agência umas 4 vezes por dia. já de manhã o pânico bate à porta e quando sou eu que atendo é pior ainda.

não sou referência de beleza. nunca fui e tenho a consciência tranquila por isso. aos 16 anos, por exemplo, era dona da estética mais feia da asa sul, lá pelas redondezas da 302. na época até sofria, mas era legal ser conhecida na escola pelo freio de burro que harmonizava meus belos traços faciais. 

hoje eu sou linda. essa opinião é unânime entre a minha família e o motoboy. me sinto como uma imagem do escher* pro cara. ele me olha com aquela feição insistente e hipnotizada. não muda a direção do olhar quando entra nessa sala e conversa com as outras pessoas encarando meus olhos. 

já cheguei a achar que ele sofria de estrabismo, mas não. também achei que poderia ter vista viciada ou cansada mas, ao que consta, não é isso. ele me ama. 

hoje, quando retornei do almoço, marcel estava aqui. e minha primeira reação é semelhante a um "puta merda, fudeu" e geralmente tenho vontade de sair correndo. não tive alternativa.

ele me seguiu com os olhos durante todo o percurso que fiz pela sala até chegar a minha mesa. sentei, me organizei, abri o computador e tcharam! a grande surpresa do dia, do mês, do ano, da vida: um coração torto desenhado em um post-it amarelo com os dizeres no meio, "marcel e clara".  

o pânico que eu tenho é confesso. mas toda forma de amor vale a pena - quem foi que disse isso mesmo?

* "o mundo fantástico de m.c. escher", exposição no ccbb em brasília até 26 de dezembro. caso queira relembrar algumas de suas imagens, basta dar uma googlada.

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