quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

uma história pra sonhar

eu nunca me apaixonaria por um advogado. certamente, na minha cabeça eletrocutada de publicitária, sentir atração física por um advogado tá fora, literalmente fora de co-gi-ta-ção.

mal sabia eu que a carapuça me serviria muito bem naquele velho e popular bordão - "o mundo dá voltas". clarice lispector, a culpa é sua?

o cara do jurídico. anti-herói, altura mediana, passos comedidos, equilibrados e sempre iguais. magro. tímido, sotaque paulista (o que eu consegui ouvir até agora) e um olhar tão diferente e bonito que pimba! me apaixonei. platonica e solitariamente: ele não sabe que eu existo.

tudo bem. vem aquela minha velha mania de gostar de amores independentes e rápidos, desses inexistentes que só fazem a nossa barriga doer por alguns nanosegundos e a criatividade nascer e morrer em 15 minutos. mas com ele não. com o cara do jurídico é diferente. 

aqui, a concepção do diferente acompanha uma energia que faz os meus olhos mirarem nele no instante que ele entra (ou sai) dessa sala enorme e fria - o que muitas vezes nos afasta de uma possível conexão direta, approach, conversa casual ou amizade corporativa.

já pensei em promessa de ir até o japão e voltar a pé, pra ver se a gente se encontra no elevador, no parque, na padaria, na farmácia - qualquer lugar! nada ainda, não deu certo. pedi aos santos, aos orixás, ao buda, à nossa senhora de fátima e até são josé (porque santo antônio está fora de moda). nada, nada e nada.

resolvi guardar essa história na minha caixa imaginária de pessoas boas, no estilo daquelas que te fazem paralisar e ao mesmo tempo tremer que nem batedeira sem botão.

beijão procê, cara do jurídico.




quarta-feira, 19 de outubro de 2011

estimulando

depois de todos os morangos terem mofado, caio fernando abreu foi capaz de dizer que começou sua faxina jogando fora tudo o que não te servia mais - sentimentos, momentos e pessoas. colocou (não guardou) tudo em uma caixa. e jogou fora. jogou fora. fora. sem apego, sem melancolia e sem saudade. a única ordem seguida à risco era desocupar lugares e filtrar emoções.

- suavidade, do dicionário: qualidade daquilo que é suave. paz e sossego da alma. graça divina. 
- atitude, do dicionário: exteriorização de um intento ou propósito.


domingo, 16 de outubro de 2011

definitivamente, é o que parece

você sempre sonhou em ter tv a cabo na sua casa. talvez isso pudesse ser até considerado meta em seus recursos financeiros futuros. de repente vem uma fézinha e pimba! você pode aplicar mais de cem canais inteiramente à sua disposição dentro da sua rentabilidade melhor, mas mesmo assim, ainda humilde.

sua qualidade de vida cresce em proporções impossíveis de mensurar, é tanto prazer que você fica confuso em conviver com essa nova gama de entretenimento na sua própria casa. com o tempo você passa a ser viciado em alguns canais e programas que te tornam literalmente refém do seu sofá e da sua coca-cola.

você descobre que pode acompanhar os melhores filmes se tiver habilidade de organização e disciplina. quando isso passa a ser um hábito "inlargável" você percebe que a sua vida gira em torno do telecine, da hbo, da warner bros e do gnt. você é capaz de voltar mais cedo da balada, pra não perder a sessão das três e meia que vai passar aquele filme que você esperou vinte e sete dias pelo lançamento.

as suas horas dormidas passam a ser controladas pela programação dos seus canais preferidos. você praticamente é o que você vê. seu assunto é sempre um filme que passou na noite passada, ou aquele programa que te faz chorar toda vez que veiculado.

você se sente mais inteligente, rico em conteúdo, cheio de coisas interessantes para contar. e de repente, você percebe que um dos ônus mais gostosos de se ter tv a cabo é a capacidade de sair de casa, sem sair de casa! e a sua tv é finalmente promovida de ser inanimado para o ser mais animado da face da terra. e os cotidianos trinta e nove metros quadrados passam a ser o espaço mais agradável e feliz que você já conheceu.

viva a capacidade de fantasiar, com a ajudinha - é claro - da tv a cabo!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

no total são 7

faço coleção de amores platônicos. tenho um caderninho na minha bolsa para controlar metricamente a estatística dos meus amores platônicos. sou capaz de me apaixonar na praça de alimentação do shopping, na fila do supermercado e até no posto de gasolina.

o pré-requisito para um amor platônico é ser imperfeito em alguma coisa: ter o cabelo feio, o dente torto, a barba cheia ou uma blusa xadrez furada. qualquer semelhança a algum desses elementos é a mesma coisa que fazer um strike no meu tímido e anônimo coração.

essa é uma excelente terapia do riso para quem quer ser independente. ele tem prazo de validade dependendo do ambiente e da intensidade e você pode administrar sem dor todos os seus sentimentos (essa é a melhor das vantagens).

é como um controle e uma possessão saudáveis, um jeito gostoso e infinitamente seguro de amar. você não precisa pagar jantar e nem guardar dinheiro pra viajar. você só precisa de imaginação, criatividade e muito bom gosto para coisas simples.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

vai dar merda

problema detectado

outro dia desses deitei minha cabeça no travesseiro como o costume de todas as noites. não tenho problemas para dormir, na verdade é uma das minhas atividades preferidas, faço com a maior facilidade.

o meu problema é administrar a criatividade no encontro do descanso da mente com o conforto do travesseiro. no momento em que finalmente acho que vou esvaziar a mente no estilo meditação, é aí que sobra espaço para a criação, que geralmente penso em desperdiçar nesse espaço cheio de pressão.

em tempos como esses, para não perder a ideia que ali na hora do sono me vem como luz para meu atual silêncio de letras, pego o bloco de notas do meu celular (viva a era digital) e anoto tudo que tenho vontade de vomitar na cara de vocês.

hoje lembrei que tinha feito uma pré-pauta em um desses dias de incubação noturna, e para minha surpresa lá estava escrito "eu não sei chorar por amor".

boa noite.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

eu odeio elevador

é isso, eu odeio elevador. não existe meio de transporte mais constrangedor do que um elevador. considerei ônibus, metrô, avião, bicicleta, mobilete, patins - o caráleo a quatro. nunca, na história mundial, irá existir algo tão intimista quanto um elevador.

o objeto anda em uma única direção e causa pressão em meus ouvidos. é extremamente útil diariamente (o que me deixa muito infeliz), e você tem que manter seu prumo e educação por um comportamento sútil em um metro quadrado que limita a sua criatividade de viver por cerca de 3 minutos.

essa é a minha experiência. considerando que moro no décimo terceiro andar de um prédio com 8 apartamentos por pavimento, estime você o grau de competência que tenho que ter para usar o elevador todos os dias. acredite, esse grau é muito alto. tenho que fingir simpatia, sorrir, dar bom dia, fala sobre o pão de queijo quentinho, metrô lotado, PIB, Dilma Roussef, Kadhafi, gasolina, cachorro do vizinho, problemas de digestão, secura do tempo, FMI, inflação, CPMF, Ricardo Gomes, Miss Universo, Tati quebra-barraco...

não sou a pessoa mais mal humorada que existe, mas não me cobre elegância às 8 horas da manhã. e mocinho bonito do décimo andar, registro aqui um recado: seu desodorante está vencido.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

sétimo setembro

eis que entramos em setembro e eu nem percebi aquela usual melancolia e a triste lembrança de duas partidas tão dolorosas em nossas vidas.

eis que percebo que crescemos, eu e o pablo, com dificuldades, porém com um resultado muito mais positivo do que o esperado. nós atingimos a nossa tão esperada estabilidade e ambos seguiram suas carreiras como desejado.

eis que após sete anos, dou boas vindas à setembro casando uma de minhas irmãs do coração. aquela (quase) única pessoa que me segurou e me apoiou na maior lama que já passei, sem que eu precisasse explicar nada.

eis que hoje me sinto uma pessoa muito mais feliz e completa, mesmo reconhecendo que ainda existe um espaço vazio em meu coração que aos poucos vai sendo dominado pelas inúmeras pessoas lindas que eu tenho ao meu lado.

eis que a vida se mostrou faceira, rápida, conclusiva e harmônica. eis que passei a acreditar em destino e a aceitar todas as minhas condições deficientes sem me sentir culpada em ser quem eu sou. eis que assim, me reconhecendo em mim mesma, voltei a ser feliz.

e por favor, não mexam no meu queijo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

phoenix

tô viciada em phoenix. nada mais toca no meu ipod/iphone que não seja phoenix. dia e noite, noite e dia e está lá aquela música que levanta todos os pêlos do meu braço.

o cd que mais gosto é o wolfgang amadeus phoenix e você pode procurar por aí que tem pra baixar. aliás, aqui vai um salve à uma graaaaaaaaaaaaande pessoa que atravessou meu rio há uns anos atrás e me fez o imenso favor me apresentando essa banda - marcelo*, êêêêêêêê!!!

e pra dividir a minha emoção (porque música é totalmente emoção), segue uma versão bem bacana de lisztomania, primeira música do álbum que citei acima. a propósito, faço um convite público ao thomas mars: larga a sofia coppola e fica comigo (aham cláudia, senta lá...).




* Meu bem, se você ler isso aqui, estou com saudades!!! Apareça!

simulando crise

cenário: godofredo
personagens: clara e fernanda
sentido: o de sempre - tomar devassa loira, paquerar o garçom, abraçar a patrícia e comer tapioca. 

pedimos a conta cedo, 21h45. ah, quarta-feira, né? vamos embora, deleitar nossa família e nossa casa, dormir cedo, cuidar da pele, ver novela, rezar um pai-nosso... o diálogo final me matou, a conclusão da proximidade dos 30 me fez perceber que além de me tornar mulher, estou me tornando velha:

- é amiga, só três cervejas e já estamos indo pra casa.
- pois é... - suspirei
- daqui a pouco vamos sair para jogar biribinha, fazer aulas de crochê, participar do clube do livro...
- puta que pariu! eu já faço parte do clube do livro!!!!
- ih amiga, fudeu...

nota mental: tentando superar até agora, repensando seriamente se continuo ou não fazendo parte do clube do livro, ou se vou pra balada com meu salto alto vermelho e minha mini-saia 30 cm. 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

amortecedores, amor tece dores

é preciso ter força para aguentar a angústia das escolhas que se faz. consciência, lucidez e compromisso com as transformações. limpar as máscaras altruístas e fazer o bem desapropriado de qualquer tipo de vaidade. abandonar a passividade, jogar o sofá fora, abrir o caminho e enxergar prosperidade dentro da sua criação mental: porque você quer, você consegue. compartilhe suas boas energias, crie um rompante para a mudança interna, seja grande portador da troca mútua, abrace com calor e receba o afeto com amor. não se desespere se a vida tomou outro percurso, seja feliz com o "pouco" que está ao seu alcance. aprenda a entregar, aceitar, confiar e agradecer.

tá, né!

tenho uma dificuldade enorme em entender as minhas emoções. acredito piamente que todas as mulheres tem um "quê" bipolar onde um sentimento maravilhoso pode se transformar na coisa mais assustadora em, aproximadamente, 5 minutos.

ninguém está pronto às mudanças da vida. você tem um planejamento e por mais minucioso e sistemático que ele seja, pode ser transformado e até mudado em um piscar de olhos. tudo a nossa volta é tão vulnerável que manter o controle alinhado entre mente e coração é uma tarefa fácil só para àqueles que possuem um vasto (e põe vasto nisso) currículo em dalai lama.

ninguém pede perfeição, mas vai chegando uma idade da vida que errar passa a ser inaceitável e desumano. você exige de si mesmo a melhor postura, o melhor portfólio, as melhores experiências... o tempo está voando e isso me lembra o super homem, que continua o mesmo. peter pan podia ser meu vizinho para emprestar uma quantidade razoável do pó mágico da nossa digníssima sininho, enquanto penso em torturar matthew barrie por ter inventado essa porra de terra do nunca.

nessa de não conseguir paralisar um sequer segundo do tempo, parafraseio chico e caetano quando em 1975 resolveram se unir em prol do "a gente vai levando, a gente vai levando". afinal... vocês sabem, né? nem com toda fama, toda brahma, toda chama e toda façanha a gente vai ter certeza sobre os casos e acasos dessa vida louca.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

comentário à parte

o único lugar honesto onde tudo acaba em pizza e deleite, é em uma agência de publicidade.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

vai que dá!

meu nome é ansiedade. a minha síndrome é a das pernas inquietas. estou sentada na mesma cadeira há 8 horas e hoje é o primeiro dia improdutivo de uma semana completamente cheia. minha barriga vive em constante estado "borboletas desesperadas", e a minha cabeça pertence a um único objetivo.

quando passamos a ter foco e desejar uma coisa com o coração intenso e quente, ela se torna incrivelmente possível. parece mágica, mas não é. posso ser clichê ao dizer que a força da mente e do pensamento positivo faz a vida acontecer... e é exatamente isso que vivo hoje, porque eu, sozinha e decidida, acreditei.

no início parece difícil e até mesmo impossível. passo a passo você vence as suas próprias limitações e o simples 'querer' se torna 'poder' porque você acredita. e por que você acredita, passa a ter foco e o foco muda a sua personalidade nas pequenas coisas.

estou amando planejar o meu futuro, estou em ímpetos de felicidade por perceber que a atitude faz a diferença sempre que você sabe o que quer com clareza. é mais simples do que a gente imagina, o nosso maior obstáculo somos nós mesmos e se você vencer a você mesmo, meu amigo... é vontade, é determinação, é coragem, é visão e é conquista.

tudo depende de um ÚNICO referencial. não é sua mãe, seu irmão, seu tio, seu avô, sua namorada... É VOCÊ, ANIMAL!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

disque fossa

recebi uma ligação ontem à noite. uma ligação comum, da mesma amiga de sempre. ao atender meu celular ela falou, "alô, é do disque fossa?".

esse é o meu atual ofício entre minhas amigas: eu sou o disque fossa, muito prazer. tenho embasamento e sabedoria suficientes para resolver seu problema por cerca de 5 horas. o serviço pode vir com adicional de 6 cervejas compradas no posto (escolha entre bohemia e stella artois) como cortesia da casa, e para conciliar a sua vida eu não cobro nada. isso mesmo, nem um centavo. me liga.

disque fossa, francamente...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

a mulher quer tudo

se você é mulher, você quer tudo. você quer conhecer o himalaia, o xingú, a patagônia e guanhaes, que fica no interior de minas gerais. você quer comer picolé de uva, morango, chocolate e maniçoba, comprando ali na lojinha de picolés esquisitos na 212 sul.

a mulher não se satisfaz. não existe santo antônio, josé e nem epaminondas que faça a mulher se sentir plenamente satisfeita. aparentemente todas as mulheres tem um "quê" astrológico em gêmeos, onde você precisa renovar, reciclar e mudar a cada nova estação do ano, ou até mesmo a cada nova manhã.

a calça jeans novinha da mulher fica velha em aproximadamente 6 meses (enquanto os homens usam a mesma calça jeans por cinco anos). a mulher precisa cortar o cabelo e comprar um par de sapatos por, pelo menos, 39,90 para se sentir a dona do mundo. o dia seguinte de uma bela compra é auto-estima na certa: você está tão poderosa no seu sapato novo, que os pés são capazes de brilhar. mas você não está satisfeita... talvez ficaria se pudesse fazer um composê com um cardigan novo para combinar com o brilho excitante dos seus pés.

a palavra satisfação não existe no dicionário feminino quando o assunto é tpm. tpm é uma merda. sério, mermão... tpm mata qualquer bom senso existente no planeta terra. a tpm faz com que o seu contato físico com você mesma fique extremamente delicado e perigoso. na tpm, além de completamente insatisfeita, a mulher fica insuportável com ela mesma. se você é homem e está lendo isso, te dou um conselho: nunca leve uma mulher para jantar se ela estiver de tpm. vocês podem ir pro melhor restaurante da cidade: ela vai reclamar da comida, da cadeira, do garçom e do seu perfume.

terça-feira, 24 de maio de 2011

primeiro natal de clara alice...

"pequena cantiga
 ligeira
 a vovô alfredo

 com essa carinha
 brejeira
 claro (clara) está que me verás
 'tripeira'
 a repetir, no tempo, quem diria
 faceira
 outras faces que a memória guarda como
 primeira.

 seria a de
 josefina? (de saudade e faceira lembrança?)
 ou a de
 conceição, (a primeira tripeira...)
 ou a de
 alice? (a carinhosa mineira)

 ou talvez,
 quem sabe?
 quem dera?
 todas as três!!!"

 - Ronald Castello Branco, o pai.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

eu amo a minha cama

oba! dia de desperdiçar palavras.

depois de um longo período às cegas, voltei para o mercado. estou entusiasmada, bonita, elegante e com pó de arroz no rosto. os dias parecem exageradamente claros, os olhos doem pela ausência dos óculos escuros, o céu está in-cri-vel-men-te azul.

nessa de amor eu ainda não me encaixei, diz a marta que estou no melhor período da minha vida, aquele em que exercitamos o caráter aprendendo a viver a solidão com bom humor. antes que você pergunte, eu te respondo: sim, é totalmente possível.

criei uma tática, uma prática, uma mania: estou migrando a minha forma de amar. agora eu amo a minha poupança bancária, eu amo os meus sapatos e por fim e não menos importante, eu amo a minha cama. cara, eu amo a minha cama!!!

brasília está naquele período pré-frio. estamos vivendo um maio gelado, cheio de casacos. o cobertor ganha um ofício extremamente importante e a cama parece que muda o sabor para o mais delicioso da face da terra, muito melhor que o risotto de damasco com queijo brie feito pelo pablo.

se deixo a janela aberta, chego em casa e o jóinha está geladinho me esperando. os sonhos são embalados pelo meu endredon extra-king-master-plus e eu tenho noites dignas de princesa. eu, minha solidão, o jóinha, o endredon e o roberto carlos (vocês não se esqueceram dele, né?).

a gente, eu tô feliz, é isso. e eu amo a minha cama.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

antepassado II

queridão, você sabe disso tão bem quanto eu, mas acho que vale a pena assoprar o pó: relembrar a dor faz bem, resolve a memória, limpa o olho do tempo, deixa arder um pouco a alma. é bom. faz bem. refresca o ego contemplar os "acidentes de percurso" que já atravessamos, incólumes, apesar dos ferimentos generalizados, das cicatrizes de estimação (não vem que não tem, todo mundo tem sua cicatriz de estimação).

a covardia de se esconder é a covardia de não resolver.

(eu avisei que isso aqui parece terapia, né? você tá lendo porque quer. beijos.) 

antepassado

o medo não é nenhum esforço de sublimação heróica. é uma simples questão de lucidez. lucidez e alucinação procedem da mesma raiz latina. não é à toa. a lucidez vê as coisas suavemente iluminadas, com suas linhas e cores, permitindo caminhar pelas perambeiras da vida e ver na pupila das pessoas a sinceridade e a farsa.

os alucinados, com labaredas nos olhos, confundem, minuciosamente entre o "certo e o errado", essa desgraçada dicotomia do colonialismo pombalino. o que há a fazer, isso a cada dia, a cada momento, a cada gesto é hamonizar as loucuras, equalizar o batimento cardíaco, perceber-se frágil mas agir lúcido e forte.

"a lucidez é virtude de céticos, pouco tem a ver com a lógica e a inteligência formais".

dizia diderot que "louco é aquele que apanha um fiapo de palha suja no chão e sai gritando que agarrou um raio de sol". louco, do jeito que meu anjo da guarda gosta, é aquele que vê o vaga-lume e acha que é uma estrelinha bêbada e fica preocupadíssimo o resto da noite.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

alô

será que a dieta das palavras acabou? o tempo vai passando, as coisas vão acontecendo e as prioridades vão se adaptando. em férias forçadas, me sinto na obrigação de dizer um alô ao que eu chamo de terapia comigo mesma.

estou naquela fase de decorar todo o jingle de uma nova propaganda na TV, ou simplesmente acompanhar fielmente à minha série preferida da warner broz channel. parece deprê, mas eu tô no lucro.

nos jornais só lemos desgraças. um país devastado pela fúria incrontrolável da natureza, chacina na escola fundamental, atropelamento em massa, tiros matando pessoas que resolveram sair de casa para comprar pão... o chocolate perdeu o sentido na tpm e a sua única válvula de escape é quebrar a casa inteira? a vingança parece tomar conta dos olhos e as pessoas estão cada vez mais egoístas.

é difícil dividir a vida? é difícil quebrar paradigmas? é difícil ter uma crença ou simplesmente acreditar que as coisas podem mudar para melhor? meu amigo, é difícil até levantar da cama todos os dias... o lance é aprender a driblar a preguiça, os pensamentos incrédulos e pequenos e o mau que assombra o nosso coração.

a força da mente é a força de toda e qualquer atitude. se você quer você consegue, mesmo que para isso você tenha que se dedicar longos dez, quinze anos. o mundo está descartável, a natureza está apenas reclamando.

precisamos triplicar o nosso coração caridoso, precisamos pensar na essência do que sonhamos, precisamos aplicar as nossas ideias fazendo o bem. todo coração é bobo e precisa de amor. precisa de temperatura quente. a gente precisa dar um tapa na cara da maldade e parar de assistir o jornal nacional.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

moacyr scliar


muito susto levei com a morte de moacyr scliar veiculada ontem em forma de notícia fantástica pela rede globo. me faltou um pouco de ar, principalmente pela desinformação de sua internação desde o início do ano, recorrente de um acidente vascular cerebral.

'a mulher que escreveu a bíblia' foi um dos primeiros livros que roubei da interminável estante do meu pai. passava um período do dia admirando todos aqueles livros, pensando na inteligência infinita que cabia dentro de seu cérebro, associando sua "velha" idade com sua "velha" sabedoria.

o que me atraiu neste título em especial, foi a minha recente formação católica advinda de grupos jovens e encontros espirituais. como assim, a mulher que escreveu a bíblia? um dos primeiros livros que li e, certamente, forte candidato ao favoritismo na minha humilde experiência literária.

em um breve resumo, scliar ultrapassa os pudores católicos e remonta a sagrada escritura em um romance peculiar e inimaginável, protagonizado por uma das setecentas mulheres de salomão - a única capaz de ler e escrever e muito, muito feia.

impossível me sentir herege neste momento, reconhecendo a obra com uma personalidade lúdica e ao mesmo tempo sensual, passeando entre a elevada "dicção" bíblica e o mais baixo calão, permitindo ao leitor criar um império de imaginação e prazer.

setenta e três anos de vida, vários jabutis, academia brasileira de letras e mais de cinquenta obras traduzidas em doze idiomas - pra nenhum gaúcho botar defeito, tchê!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

sou linda

resolvi prolongar a minha sexta-feira na agência porque hoje eu me sinto feliz... e metida. as coisas tomam formas tão naturais em minha vida que quando vejo, pimba! deu certo.

o quanto já chorei e errei não tá escrito no gibi, e nem manoel carlos conseguiria ter a peripécia de escrever uma novela com o roteiro parecido. e dessa vida aqui, eu sou completamente dona e proprietária - com muito orgulho.

tô metida mesmo: por ter sofrido, por ter chorado, por ter errado... mas, principalmente, por ter acertado pra caráleo, mesmo cambaleando no meio do caminho. chego até a lembrar do rei, roberto carlos (o verdadeiro, não o meu travesseiro): se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi - he he.

bom final de semana pra vocês.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

casei

de mubarak a ronaldo, eu digo a você queridão, que na minha vida nada acontece. tô com muito medo de ser aquela mulher bem sucedida, com uma posição muito respeitada no mercado no estilo solteirona independente, completamente casada com o trabalho.

daquelas mulheres que amam cerveja, mas aprendem a ignorar seu divino sabor pelo bem-estar físico e mental do dia seguinte, afinal você vai ter que trabalhar - e muito. ou então daquelas que sempre são chamadas para serem madrinhas de casamento, que organizam a vida amorosa das amigas ou servem como um primeiro conselho para uma desilusão, por sua vasta e reconhecida experiência no ramo.

quando eu digo que nada acontece, posso até garantir que a veracidade deste fato é bastante duvidosa. a rotina torna os dias muito iguais e resumindo a ópera, minha vida tem 3 atos, assim como os turnos do dia: manhã, tarde e noite. de manhã, eu trabalho. de tarde, eu trabalho. e a noite... bem, a noite eu também trabalho. na madrugada, onde deveria acontecer as grandes aventuras da minha juventude com muita música, alegria e diversão, me afogo em um sono profundo para manter, pelo menos, a pele saudável (não tem corretivo que sustente olheiras em um ser tão branco quanto eu).

aquela cerveja que rolava segundas, quartas e sextas, se transferiram para o sábado (quando não tenho que trabalhar), e geralmente no sábado celebro a minha própria existência brindando comigo mesma, já que a minha lista telefônica está completamente comprometida: todas as pessoas que eu conheço mantém relacionamentos estáveis entre 2 meses e 5 anos.

o jeito é aceitar a minha condição amorosa com meu trabalho, me apaixonando por jobs, clientes, reuniões, prazos estourados, parceiros atrasados, campanhas reprovadas, layouts ajustados no último minuto e textos... muuuuitos textos.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

dias de chuva intensa

mulher na tpm não é uma mulher. mulher na tpm é um animal. o animal mais feroz e agressivo que existe, com sensibilidade à flor da pele. generalizando a mulher na tpm: tudo fica extremamente ruim e insuportável.

o primeiro dia da tpm é sempre o pior, nada dá certo com nada. a proporção do errado parece simplesmente triplicar. a roupa que você escolheu pra usar tá uma merda e seu cabelo insiste em ficar arrepiado. daí você conclui que nada na sua vida tem solução, que dirá o próprio cabelo.

por pura responsabilidade você decide que trabalhar é o melhor caminho, mas nem o elevador chega na hora que você precisa (a tendência para a falta de pontualidade na tpm é imensa), e a estabilidade emocional vai por água abaixo.

chega o momento da auto-flagelação, onde todo mundo resolveu circular ao redor do seu umbigo com o intuito de te encher o saco (mania de perseguição = sintoma de tpm). você recebe e-mails desaforados que, na verdade, não são tão desaforados assim. você resolve reclamar sobre a limpeza da sua casa, sendo que você nunca foi uma grande colaboradora do lar. você decide que almoçar está fora de moda e toca o foda-se pra própria saúde. até o meio-dia mais ou menos, você grita com a metade populacional que habita sua cidade de amigos.

quando o sol está se pondo, você quer devorar todo o chocolate do mundo, como se o estoque fosse acabar. tudo pra você passa a ser CHO-CO-LA-TE. você liga na sua lanchonete preferida e é só falar "tpm" que em menos de 5 minutos a sua super torta de chocolate recheada está em cima da sua mesa, com um garfo de plástico que insiste em quebrar. nessa hora você quer matar seu melhor amigo da lanchonete que não passa de um bostão, ao invés de refletir que foi você quem botou força demais no objeto inanimado que nada tem a ver com isso.

e ainda tem mais! a verdade sai da sua boca como nunca antes visto na história da sua fofura. você perde os freios da língua e fala mais que qualquer pastor evangélico existente no mundo. você quer ser sincero custe o que custar, doa a quem doer. afinal de contas, tudo dói em você, a tpm te atormenta e te incomoda. então, porque você seria mais discreta ao reclamar da vida?

espera até o momento que eu resolver contar sobre o último dia da tpm: aquele em que você chora assistindo comercial de margarina, liga pra todas as amigas querendo um pouco de atenção e acha que o mundo só tem maldade e ingratidão.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

eu tenho um jóinha

tenho um novo ursinho de pelúcia. o nome dele é jóinha. é marronzinho e gordinho, cabe exatamente amassado no meu braço quando deito de bruços para dormir. no dia seguinte quando acordo, ele sempre está do outro lado da cama. tem tantos pêlos que acredito morrer de calor sob meus braços firmes.

estava andando pelo brasília shopping dia desses assumindo a minha condição de "ser sozinha", entendendo aos poucos que o meu progresso humano e espiritual depende unicamente das minhas escolhas e atitudes. encontrei com o jóinha na vitrine de uma loja de brinquedos infantis.

não percebi sua presença imediata porque minha imaginação estava passeando pelo meu extrato bancário e por minha atual condição de sonegadora de impostos. mas quando percebi que estava de cara com uma obra de deus, sem pestanejar rompi a barreira vitrine-cliente e entrei na loja para poder sentir e ver de perto o então futuro jóinha.

foi um momento de amor, ternura, paixão e loucura. sem raciocinar à respeito do custo-benefício daquela pelúcia, segui a passos seguros e firmes para o caixa com o meu jóinha nas mãos. paguei a bagatela de sessenta e oito reais e, desde então, vivo momentos de extrema alegria toda vez que chego em casa e o vejo encostado marotamente no travesseiro, provavelmente me esperando para ser esmagado por mais uma noite.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

a amiga de um amigo meu, é minha amiga

a amiga de um amigo meu chegou atrasada no bar lá pelas tantas, onde a alegria sucumbia severamente em nossos corações.

manu chegou estendendo a mão para cumprimentar, causando um primeiro impacto antipático e arredio. começo a provar com esse texto, que a primeira impressão definitivamente não é a que fica.

nunca tinha conhecido uma mulher que realmente me entusiasmou muito mais do que qualquer possibilidade de paquera pela mesa, mesmo porque paquerar não é o meu forte. em menos de 5 minutos que manu ocupava a cadeira vazia de nossa mesa, constatei que ela poderia ser a mulher da minha vida (calma galera, não exagera na imaginação).

começamos a conversar sobre videogame e vários jogos da nossa época como donkey kong, super mario, top gear e os famosos jogos em rede como quake, age of empires e o recente (não tão recente assim), resident evil. foi amor à segunda impressão e não só da minha parte, mas da mesa inteira que a olhava com um sorriso bobo e admirado.

depois percebi que ela queria um papo mais feminino, quando olhou para mim e disse intempestiva, "sou apaixonada por um cara da academia, mas ele não me conhece, o que eu faço?". foi a coisa mais linda que já ouvi. ela fez um olhar tão puro e dócil que mal pude acreditar que seria dona de 30 anos de vida.

pois bem, trocamos experiências amorosas e casos bobos, descobrimos afinidades como coca-cola e samba e decidimos fielmente nos encontrar novamente, mesmo depois de saber que o sonho da vida dela é ser uma bioterrorista focada em políticos corruptos (ela é infectologista, olha que genial).

o começo da nossa história terminou com elogios mútuos, troca de telefones, o desejo de um novo encontro e a sensação maravilhosa de ter certeza que existem várias "manus" no mundo pra gente ainda conhecer!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

fucking blah

já dizia a sábia dona maria helena minha digníssima mãe,  "quem fala demais dá bom dia a cavalo".

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

doações à região serrana - RJ

sei que tenho poucos leitores, mas vocês poucos que tiverem qualquer acesso às redes sociais e similares, divulguem o endereço da cruz vermelha de sua cidade ao máximo de pessoas que conseguir.

o desespero no rio é tão avassalador e triste, que fica difícil erguer a coragem em manter a televisão ligada, assistindo um verdadeiro show de horror.

e seja lá qual for a sua religião (e até mesmo se você for ateu), de alguma maneira emane suas energias positivas para aquele povo, que hoje se apega apenas ao próprio corpo, compreendendo em meio à desolação que estar vivo e salvo, é bom demais.

http://www.cruzvermelha.org.br/

domingo, 9 de janeiro de 2011

na dúvida? eu? será?

as mulheres me enlouquecem. eu sou mulher, ou seja, eu me enlouqueço. tudo tá bem, tá lindo, "nossa que maravilha!". De repente, como em um súbito louco e bipolar, tudo tá péssimo.

ai, tô amando... mas amanhã vou concluir (temporariamente, é claro), que o amor me dá enorme preguiça. alface é a coisa mais gostosa do mundo, mas daqui há dois dias não quero nem sentir o cheiro. vem cá, chocolate.

nossa, incrível, a-do-ro banda eva. mas amanhã, ah! o amanhã... janis joplin é o que mais toca no meu ipod.

ai que dúvida: compro um carro, um apartamento no rio de janeiro ou vou pra patagonia nas férias? é... "certamente" decidirei que não quero nada disso. vou pro shopping renovar o guarda-roupas.

pronto, decidi. vou procurar um novo emprego. se bem que esse tá bom, tá ótimo. mas não posso me acomodar, tenho que procurar novas experiências. mas nossa, só tem um ano e meio que estou aqui, as pessoas são agradáveis. quero mudar, emprego novo já! será? é, não sei.

o que aconteceu com meu cabelo? ontem a minha pele era linda. hoje preciso de quilos de maquiagem, não tô legal. amo meu nariz. detesto meu nariz. branco ou preto? branco? preto? quer saber, azul.

acho que vou comprar uma bicicleta. ou é melhor fazer natação? ai, que dúvida. 'parece novidade', mas estou mesmo na dúvida. acho que vou ficar na corridinha. na verdade, preciso economizar - nada de esportes. mas esporte é saúde, é vitalidade. tá, vou me dar um tempo para pensar melhor (índice elevado de auto-boicote feminino).

...

mapa, manual, bússola, rosa dos ventos, orientação da lua... nem gps, meu amigo, nem gps! é humanamente IMPOSSÍVEL entender uma mulher.

(tpm é, "apenas", um breve percurso onde ter dúvida sobre tudo e todos é completamente normal e saudável).

sábado, 8 de janeiro de 2011

tá, ano novo.

dois mil e onze.

e eu achando que dois mil era muito. mal sabia que os anos de dois mil e quatro, dois mil e cinco e dois mil e sete, seriam fundamentais para formar o meu caráter. é isso mesmo, amigão, só formei o meu caráter depois dos vinte.

todo ano novo é novo demais. parece que o relógio das expectativas zeram as promessas e tudo fica "limpo" e incrivelmente interessante. você promete academia, estudo, regime, equilíbrio emocional, saúde, viagens, um novo emprego, amor, grana e todo esse blá blá blá social.

pra dois mil e onze, resolvi fazer onze pedidos. vai ser assim daqui pra frente, sem grandes exageros. não dá pra viver só de planos felizes, bonitinhos, saltitantes e infinitamente perfeitos.

pra dois mil e onze, então, segue uma dose de realidade:

1. escovar os dentes, pelo menos 3 vezes ao dia
2. evitar ressaca
3. insistir na beterraba
4. aprender a fazer as unhas
5. ser pontual
6. limpar as orelhas (a parte de trás - nunca limpo)
7. eliminar a palavra dívida do meu dicionário pessoal
8. diminuir a quantidade de chips por mês (tipo cheetos, fandangos...)
9. controlar insanidades da TPM
10. abandonar a ideia de que bolsa e sapato combinam com auto-estima
11. e por fim, não menos importante: usar ilimitadamente o butão do foda-se

feliz dois mil e onze, queridos.