segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

moacyr scliar


muito susto levei com a morte de moacyr scliar veiculada ontem em forma de notícia fantástica pela rede globo. me faltou um pouco de ar, principalmente pela desinformação de sua internação desde o início do ano, recorrente de um acidente vascular cerebral.

'a mulher que escreveu a bíblia' foi um dos primeiros livros que roubei da interminável estante do meu pai. passava um período do dia admirando todos aqueles livros, pensando na inteligência infinita que cabia dentro de seu cérebro, associando sua "velha" idade com sua "velha" sabedoria.

o que me atraiu neste título em especial, foi a minha recente formação católica advinda de grupos jovens e encontros espirituais. como assim, a mulher que escreveu a bíblia? um dos primeiros livros que li e, certamente, forte candidato ao favoritismo na minha humilde experiência literária.

em um breve resumo, scliar ultrapassa os pudores católicos e remonta a sagrada escritura em um romance peculiar e inimaginável, protagonizado por uma das setecentas mulheres de salomão - a única capaz de ler e escrever e muito, muito feia.

impossível me sentir herege neste momento, reconhecendo a obra com uma personalidade lúdica e ao mesmo tempo sensual, passeando entre a elevada "dicção" bíblica e o mais baixo calão, permitindo ao leitor criar um império de imaginação e prazer.

setenta e três anos de vida, vários jabutis, academia brasileira de letras e mais de cinquenta obras traduzidas em doze idiomas - pra nenhum gaúcho botar defeito, tchê!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

sou linda

resolvi prolongar a minha sexta-feira na agência porque hoje eu me sinto feliz... e metida. as coisas tomam formas tão naturais em minha vida que quando vejo, pimba! deu certo.

o quanto já chorei e errei não tá escrito no gibi, e nem manoel carlos conseguiria ter a peripécia de escrever uma novela com o roteiro parecido. e dessa vida aqui, eu sou completamente dona e proprietária - com muito orgulho.

tô metida mesmo: por ter sofrido, por ter chorado, por ter errado... mas, principalmente, por ter acertado pra caráleo, mesmo cambaleando no meio do caminho. chego até a lembrar do rei, roberto carlos (o verdadeiro, não o meu travesseiro): se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi - he he.

bom final de semana pra vocês.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

casei

de mubarak a ronaldo, eu digo a você queridão, que na minha vida nada acontece. tô com muito medo de ser aquela mulher bem sucedida, com uma posição muito respeitada no mercado no estilo solteirona independente, completamente casada com o trabalho.

daquelas mulheres que amam cerveja, mas aprendem a ignorar seu divino sabor pelo bem-estar físico e mental do dia seguinte, afinal você vai ter que trabalhar - e muito. ou então daquelas que sempre são chamadas para serem madrinhas de casamento, que organizam a vida amorosa das amigas ou servem como um primeiro conselho para uma desilusão, por sua vasta e reconhecida experiência no ramo.

quando eu digo que nada acontece, posso até garantir que a veracidade deste fato é bastante duvidosa. a rotina torna os dias muito iguais e resumindo a ópera, minha vida tem 3 atos, assim como os turnos do dia: manhã, tarde e noite. de manhã, eu trabalho. de tarde, eu trabalho. e a noite... bem, a noite eu também trabalho. na madrugada, onde deveria acontecer as grandes aventuras da minha juventude com muita música, alegria e diversão, me afogo em um sono profundo para manter, pelo menos, a pele saudável (não tem corretivo que sustente olheiras em um ser tão branco quanto eu).

aquela cerveja que rolava segundas, quartas e sextas, se transferiram para o sábado (quando não tenho que trabalhar), e geralmente no sábado celebro a minha própria existência brindando comigo mesma, já que a minha lista telefônica está completamente comprometida: todas as pessoas que eu conheço mantém relacionamentos estáveis entre 2 meses e 5 anos.

o jeito é aceitar a minha condição amorosa com meu trabalho, me apaixonando por jobs, clientes, reuniões, prazos estourados, parceiros atrasados, campanhas reprovadas, layouts ajustados no último minuto e textos... muuuuitos textos.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

dias de chuva intensa

mulher na tpm não é uma mulher. mulher na tpm é um animal. o animal mais feroz e agressivo que existe, com sensibilidade à flor da pele. generalizando a mulher na tpm: tudo fica extremamente ruim e insuportável.

o primeiro dia da tpm é sempre o pior, nada dá certo com nada. a proporção do errado parece simplesmente triplicar. a roupa que você escolheu pra usar tá uma merda e seu cabelo insiste em ficar arrepiado. daí você conclui que nada na sua vida tem solução, que dirá o próprio cabelo.

por pura responsabilidade você decide que trabalhar é o melhor caminho, mas nem o elevador chega na hora que você precisa (a tendência para a falta de pontualidade na tpm é imensa), e a estabilidade emocional vai por água abaixo.

chega o momento da auto-flagelação, onde todo mundo resolveu circular ao redor do seu umbigo com o intuito de te encher o saco (mania de perseguição = sintoma de tpm). você recebe e-mails desaforados que, na verdade, não são tão desaforados assim. você resolve reclamar sobre a limpeza da sua casa, sendo que você nunca foi uma grande colaboradora do lar. você decide que almoçar está fora de moda e toca o foda-se pra própria saúde. até o meio-dia mais ou menos, você grita com a metade populacional que habita sua cidade de amigos.

quando o sol está se pondo, você quer devorar todo o chocolate do mundo, como se o estoque fosse acabar. tudo pra você passa a ser CHO-CO-LA-TE. você liga na sua lanchonete preferida e é só falar "tpm" que em menos de 5 minutos a sua super torta de chocolate recheada está em cima da sua mesa, com um garfo de plástico que insiste em quebrar. nessa hora você quer matar seu melhor amigo da lanchonete que não passa de um bostão, ao invés de refletir que foi você quem botou força demais no objeto inanimado que nada tem a ver com isso.

e ainda tem mais! a verdade sai da sua boca como nunca antes visto na história da sua fofura. você perde os freios da língua e fala mais que qualquer pastor evangélico existente no mundo. você quer ser sincero custe o que custar, doa a quem doer. afinal de contas, tudo dói em você, a tpm te atormenta e te incomoda. então, porque você seria mais discreta ao reclamar da vida?

espera até o momento que eu resolver contar sobre o último dia da tpm: aquele em que você chora assistindo comercial de margarina, liga pra todas as amigas querendo um pouco de atenção e acha que o mundo só tem maldade e ingratidão.