segunda-feira, 25 de abril de 2011

antepassado II

queridão, você sabe disso tão bem quanto eu, mas acho que vale a pena assoprar o pó: relembrar a dor faz bem, resolve a memória, limpa o olho do tempo, deixa arder um pouco a alma. é bom. faz bem. refresca o ego contemplar os "acidentes de percurso" que já atravessamos, incólumes, apesar dos ferimentos generalizados, das cicatrizes de estimação (não vem que não tem, todo mundo tem sua cicatriz de estimação).

a covardia de se esconder é a covardia de não resolver.

(eu avisei que isso aqui parece terapia, né? você tá lendo porque quer. beijos.) 

antepassado

o medo não é nenhum esforço de sublimação heróica. é uma simples questão de lucidez. lucidez e alucinação procedem da mesma raiz latina. não é à toa. a lucidez vê as coisas suavemente iluminadas, com suas linhas e cores, permitindo caminhar pelas perambeiras da vida e ver na pupila das pessoas a sinceridade e a farsa.

os alucinados, com labaredas nos olhos, confundem, minuciosamente entre o "certo e o errado", essa desgraçada dicotomia do colonialismo pombalino. o que há a fazer, isso a cada dia, a cada momento, a cada gesto é hamonizar as loucuras, equalizar o batimento cardíaco, perceber-se frágil mas agir lúcido e forte.

"a lucidez é virtude de céticos, pouco tem a ver com a lógica e a inteligência formais".

dizia diderot que "louco é aquele que apanha um fiapo de palha suja no chão e sai gritando que agarrou um raio de sol". louco, do jeito que meu anjo da guarda gosta, é aquele que vê o vaga-lume e acha que é uma estrelinha bêbada e fica preocupadíssimo o resto da noite.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

alô

será que a dieta das palavras acabou? o tempo vai passando, as coisas vão acontecendo e as prioridades vão se adaptando. em férias forçadas, me sinto na obrigação de dizer um alô ao que eu chamo de terapia comigo mesma.

estou naquela fase de decorar todo o jingle de uma nova propaganda na TV, ou simplesmente acompanhar fielmente à minha série preferida da warner broz channel. parece deprê, mas eu tô no lucro.

nos jornais só lemos desgraças. um país devastado pela fúria incrontrolável da natureza, chacina na escola fundamental, atropelamento em massa, tiros matando pessoas que resolveram sair de casa para comprar pão... o chocolate perdeu o sentido na tpm e a sua única válvula de escape é quebrar a casa inteira? a vingança parece tomar conta dos olhos e as pessoas estão cada vez mais egoístas.

é difícil dividir a vida? é difícil quebrar paradigmas? é difícil ter uma crença ou simplesmente acreditar que as coisas podem mudar para melhor? meu amigo, é difícil até levantar da cama todos os dias... o lance é aprender a driblar a preguiça, os pensamentos incrédulos e pequenos e o mau que assombra o nosso coração.

a força da mente é a força de toda e qualquer atitude. se você quer você consegue, mesmo que para isso você tenha que se dedicar longos dez, quinze anos. o mundo está descartável, a natureza está apenas reclamando.

precisamos triplicar o nosso coração caridoso, precisamos pensar na essência do que sonhamos, precisamos aplicar as nossas ideias fazendo o bem. todo coração é bobo e precisa de amor. precisa de temperatura quente. a gente precisa dar um tapa na cara da maldade e parar de assistir o jornal nacional.