segunda-feira, 25 de abril de 2011

antepassado

o medo não é nenhum esforço de sublimação heróica. é uma simples questão de lucidez. lucidez e alucinação procedem da mesma raiz latina. não é à toa. a lucidez vê as coisas suavemente iluminadas, com suas linhas e cores, permitindo caminhar pelas perambeiras da vida e ver na pupila das pessoas a sinceridade e a farsa.

os alucinados, com labaredas nos olhos, confundem, minuciosamente entre o "certo e o errado", essa desgraçada dicotomia do colonialismo pombalino. o que há a fazer, isso a cada dia, a cada momento, a cada gesto é hamonizar as loucuras, equalizar o batimento cardíaco, perceber-se frágil mas agir lúcido e forte.

"a lucidez é virtude de céticos, pouco tem a ver com a lógica e a inteligência formais".

dizia diderot que "louco é aquele que apanha um fiapo de palha suja no chão e sai gritando que agarrou um raio de sol". louco, do jeito que meu anjo da guarda gosta, é aquele que vê o vaga-lume e acha que é uma estrelinha bêbada e fica preocupadíssimo o resto da noite.

Um comentário:

  1. "louco, do jeito que meu anjo da guarda gosta, é aquele que vê o vaga-lume e acha que é uma estrelinha bêbada e fica preocupadíssimo o resto da noite." - QUE LINDO!

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