quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

uma história pra sonhar

eu nunca me apaixonaria por um advogado. certamente, na minha cabeça eletrocutada de publicitária, sentir atração física por um advogado tá fora, literalmente fora de co-gi-ta-ção.

mal sabia eu que a carapuça me serviria muito bem naquele velho e popular bordão - "o mundo dá voltas". clarice lispector, a culpa é sua?

o cara do jurídico. anti-herói, altura mediana, passos comedidos, equilibrados e sempre iguais. magro. tímido, sotaque paulista (o que eu consegui ouvir até agora) e um olhar tão diferente e bonito que pimba! me apaixonei. platonica e solitariamente: ele não sabe que eu existo.

tudo bem. vem aquela minha velha mania de gostar de amores independentes e rápidos, desses inexistentes que só fazem a nossa barriga doer por alguns nanosegundos e a criatividade nascer e morrer em 15 minutos. mas com ele não. com o cara do jurídico é diferente. 

aqui, a concepção do diferente acompanha uma energia que faz os meus olhos mirarem nele no instante que ele entra (ou sai) dessa sala enorme e fria - o que muitas vezes nos afasta de uma possível conexão direta, approach, conversa casual ou amizade corporativa.

já pensei em promessa de ir até o japão e voltar a pé, pra ver se a gente se encontra no elevador, no parque, na padaria, na farmácia - qualquer lugar! nada ainda, não deu certo. pedi aos santos, aos orixás, ao buda, à nossa senhora de fátima e até são josé (porque santo antônio está fora de moda). nada, nada e nada.

resolvi guardar essa história na minha caixa imaginária de pessoas boas, no estilo daquelas que te fazem paralisar e ao mesmo tempo tremer que nem batedeira sem botão.

beijão procê, cara do jurídico.