sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

do bom e do melhor

as grandes mudanças da vida são, de fato, assustadoras. o rio muda de percurso em um par de segundos, sem pedir licença e com a melhor de toda a má educação já antes conhecida por você. todos os seus planos e sonhos passam a ter outras cores e paisagens. e isso não é nada, literalmente nada daquilo que você planejou.

nessa de budismo, arrisco a abusar do termo "impermanência". o para sempre é utopia, nem tudo haverá futuro, nem sempre o seu desejo se transformará em realidade e isso, por mais teimoso e desagradável que seja, é uma opção escolhida por você.

decisões são constantemente impostas sob nosso caminho: por aqui ou acolá? a cada dia você acorda um ser diferente, com vontades diferentes, estímulos diversos, energia modificada pela noite de sono ou pela ideia nova. nada é definitivo. não adianta insistir.

o problema está nos olhos de quem vê. o ponto discutido não é negativo. o percurso do rio pode cair em um paraíso - invente você! olhe a casa bagunçada com um aspecto voraz de desafio, ligue um som e varre para fora tudo aquilo que não te agrada. desvenda as suas dificuldades como forma de vitória. por mais difícil que seja, um dia você vai conseguir. e se for aos 80 anos, que lucro, a lucidez da vida nessa idade é dádiva.

vale a simples pretensão: aprenda a comer jiló sem fazer careta.




terça-feira, 9 de outubro de 2012

claressência

"pessoas com vidas interessantes não têm fricote. elas trocam de cidade. investem em projetos sem garantia. interessam-se por gente que é o oposto delas. pedem demissão sem ter outro emprego em vista. aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. começam do zero inúmeras vezes. não se assustam com a passagem do tempo. sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida."

segunda-feira, 23 de julho de 2012

vilarejo

fico imaginando que pensamentos são como créditos em forma de oportunidade, dependendo é claro, da sua avidez em administrar se os pensamentos valem a pena de serem alimentados ou não.

é tão simples reclamar. é tão simples achar que tudo na vida está ruim, ineficaz, fraco e pobre. é cômodo e fácil sentar em um sofá e ver a vida passar pela janela, enquanto você apenas assiste como um telespectador passivo de seus próprios acontecimentos, deixando com que oportunidades se tornem um mero (e mais um ) esquecimento do passado ou arrependimento para o futuro.

a autonomia é capaz de te dar desejo em viver o que você quiser. do simples ao impossível, a sua mente pode controlar o que quiser controlar, basta ter consciência da importância que a energia têm para todo e qualquer passo que se vá tomar.

alimentar o bem, cultivar os bons amigos, controlar os pensamentos de forma saudável e justa, é muito mais fácil do que passar em matemática na sétima série.

vale o desafio e o exercício, estimular aquela coisa clichê e positiva, criar suas próprias estratégias e mantras, emitir calor amoroso para o universo e receber em troca, na discrição suave e gentil que a vida nos oferece, sempre em forma de dias límpidos, sono gostoso, amor novo ou música boa.

sábado, 14 de julho de 2012

rebento de potira

bartira, quem diria... cresceu, renasceu e se inventa, sempre dentro de um conto, voz e violão, flauta e acordeón. completamente apaixonada, entendendo que acelerar o coração é uma oportunidade de engrandecer a alma, acalmar a pele e anestesiar os olhos em ilusões saudáveis, feitas pra sorrir. é a paz que vem de fora para dentro, é o entupir de emoção, é tremer o corpo em desejo de viver aquele desconhecido com sede e vontade, imersa em suavidade que faz poesia - naturalmente.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

clarificando

domingo desses liguei o computador em uma ação automática, entendendo que, inexplicavelmente, eu prefiro assistir filmes em uma tela de treze polegadas à outra de, sei lá, vinte e duas.

tudo estava milimetricamente planejado; edredon com cheiro de sono, travesseiros posicionados confortavelmente, decisão pelo pijama mais velho e agradável e muita vontade de mergulhar em um outro universo, para mudar de canal daquilo que eu chamo de "realidade inventada", também conhecida por "minha vida".

pois bem, la película era beginners. ewan mc gregor em uma interpretação fantástica, entendia o amor após a morte de seu pai - el maravilloso christopher plumer - que, em uma surpreendente e inebriante esfera, assumiu a homossexualidade aos 70 anos, transformando o fim de seus dias com um jovem namorado, abraçando causas gays e ajudando o filho a entender que, salve clube da esquina, toda forma de amor vale a pena.

o roteiro do filme (dirigido por mike mills) me passou uma forte sensação de respeito e responsabilidade com os movimentos homossexuais, seus semelhantes e simpatizantes. vai além das histórias usuais que encontramos por aí, dado à um exato momento em que o interlocutor obriga o telespectador, sendo ele gay ou não, a pensar em toda a sua existência com uma simples e bem formulada pergunta:

when was the last time you look to your life and saw nothing, but fraud? 


um soco no estômago. trezentos e vinte e nove tapas na cara. quarenta e sete baldes de água fria sobre a cabeça e uma paralização momentânea do cérebro, já que nos próximos minutos, horas, dias ou meses, ele vai trabalhar demais pensando em como responder à essa pergunta entendendo você, mesmo dotado de sucessos na vida, uma tremenda de uma fraude, mentira, balela, catota.

isso não pode te assustar. todos nós sabemos, conhecemos, aceitamos e convivemos com as máscaras diárias assistidas de camarote, a verdadeira personificação do ego em forma de gente, limitando o ser humano a um processo de vaidade extrema, abandonando a especial e importante experiência da humildade, do desapego e do se entender errado e aceitar errado e superar acertando, num intenso exercício em acreditar que qualquer pessoa é ávidamente capaz de ser responsável, correta e íntegra, concluindo que o mais confortável não é fingir ser, pagar pra ser, ou ser só se ter.

o mais confortável é se entender em voz, olhar, coragem e cara lavada. abrindo o corpo, a mente e o coração para as variáveis universais que são infinitamente maiores que a sua incapacidade de aceitar que é capaz de ser pobre e medíocre, ao mesmo tempo em que és incrível e maravilhoso.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

ele também é assim...

salvaguardando a nossa inquestionável veia ortográfica, eis aspas de meu irmão:

"interesting how life can compare to a book and how it always seems that we are writing it at the same time as we read it. also interesting how you can't really define what love is, but you can sure point what it is not."

reflitam.

terça-feira, 12 de junho de 2012

aqui tem solução

li uma frase hoje, glorioso reinaldo azevedo que, infelizmente é empregado pela veja, mas sabe o que dizer mesmo imergido em incoerência, coisa como "todo mundo é meio idiota a beira do abismo, acho".

pois bem reinaldo, não se subestime, você não acha, você tem certeza. assim como eu e todos os brasileiros que fazem questão de brincar de roleta russa naquilo que você está chamando de beira.

estupefata estou e sempre estarei, quando me deparar com momentos e emoções da vida que me fazem varear em sentimentos de forma totalmente bipolar e sobrehumana. até vaidosa eu poderia dizer, mas na verdade, sou muito vaidosa para assumir que estou sendo vaidosa.

fazendo uma análise macro da situação, me permito garantir a todo e qualquer meliante que passa na rua que, mesmo aquele idiota anos 90 que passou por sua vida feito um cometa halley, fazendo festa, barulho e baderna no seu coração, vai ter uma missão instintiva de sobrevivência pra você.

nem que seja para tapar um buraquinho por alguns dias, despertando assim uma fome de amor e delírio de felicidade, reproduzindo aquela fé adolescente que te transporta do céu ao inferno em 5 minutos. faça uma leitura positiva, isso é bom, enche o corpo de saúde e o tormento não passa desses 5 minutos necessários e indiferentes que te fazem sentir viva e completamente normal - se considerarmos o alto índice de loucos soltos na rua, ser normal é imensamente agradável e justo.





sexta-feira, 1 de junho de 2012

amém

há um par de anos atrás, aprendi com uma adorada amiga, a verdadeira importância de celebrar a nossa própria existência. isso mesmo, celebrar a nossa vida, celebrar o egoísmo altruísta que nos conduz àquele sentimento clichê e totalmente necessário batizado de amor próprio.

pois bem, eu o fiz. celebrei naturalmente a minha vida, da forma mais casual possível.

eis um dia comum, de labuta e cansaço, visitei meu supermercado favorito, de vestido e chinelo, em calma e conforto. comprei aquelas coisas que mais me agradam, queijo, chips, macarrão, torradas, requeijão, frutas e vinhos - intuito de abastecer a dispensa e geladeira.

carreguei a adega, cortei uns queijos, abri um patê e servi com a torrada - não que eu não fizesse isso em dia nenhum, mas ontem foi diferente. diferente só pela intenção inconsciente do coração, de estar em meu santuário, cercada por elementos materiais que marcaram a minha vida de alguma forma, desde uma pedra conquistada na cachoeira do abade à uma fotografia parisiense de minha mãe tão saudosa.

e foi assim o resto da noite. um ambiente todo meu, conquistado e cuidado por mim, dentro da minha personalidade e minha história. o físico e o espiritual numa esfera completamente agradável e sensacional - foi épico! num exato momento da noite, paralisei. percebi a essência da solitude feliz, contemplei e agradeci. agradeci. agradeci.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

à cultura do que é simples

eu frequento um bar pé sujo. com ele também frequento o amor disponível e leve, suave, saudável. aquele que não vê cara, apenas coração. onde as conversas são francas, verdadeiras, honestas e bobas - assim como qualquer "descompromisso" sincero e desapegado, porém cheio de realidade e espontaneidade. coração aberto, sinceridade em viver, longe de hostilidades e futilidades.

é simples como pede o ambiente.

o amor comanda qualquer movimento, seja ele sério ou descontraído. essa é a essência. o plausível e infinitamente bonito, aquilo que eleva a energia e nos faz trasbordar em autenticidade e segurança. nós, mortais sedentos, chamamos isso de amor incondicional. além do que já esperamos sentir e sentimos, como glória e coragem, onde reabastecemos aquela cultura que entendemos feito poesia, batizada de amizade.

clichê necessário


terça-feira, 8 de maio de 2012

"status" de espírito

ansiedade. falar sobre ansiedade é a mesma coisa que falar sobre um parente muito próximo, daqueles em que a intimidade é profundamente conhecida, tipo mãe, pai, irmão, cachorro ou periquito... 

para mim é como se fosse um estigma criado pela geração que se faz perpétua dentro dos seus ensinamentos mais primordiais . não é facilmente controlada, como é diagnosticada em menos de 4 segundos. o tempo pode fazê-la imatura ou robusta em personalidade, mas sempre terá a mesma essência - sofreguidão, avidez, inquietude. 

existem pares para o bem e o mal. variam entre extremos e carregam vários adjetivos que, na minha humilde inteligência, são infinitos. para arianos com ascendente em libra (assim como eu), a ansiedade é oito ou oitenta. quando em felicidade, vem carregada de dor de barriga, entusiasmo e expectativa. quando em tristeza, são exumadas do corpo com rapidez e agressividade, tal como uma receita de bolo de chocolate exageradamente doce em épocas de tpm - isso é o que eu chamo de sunday bloody spirit. 

não me tira o sono e nem concentração. mas toma conta dos poros da minha pele e da palpitação do coração, modo esse de se esconder em suavidade quando não pode ser prioridade em atenção. mas sempre está ali, quieta, por algum motivo, acontecimento, espera e muita vontade. 






quinta-feira, 3 de maio de 2012

diálogos informais II: humildade e ganância

- eu quero comer chocolate.
- eu quero ficar rico. e nunca mais trabalhar. só viajar. e estudar. e mais nada.

(...)

diálogos informais I: a mentirinha solidária

- ah, pois é, tem algumas traduções que preciso fazer, vi que você fala espanhol.
- é, falo, assim "má-lé-mal"...
- ótimo, vou te passar então.
- pois é, tenho um dicionário maravilhoso!

(...)

les choses que j'ai apprises à paris


paris. le metró. montmartre. froid. le vent. amour. moulin rouge. sacré coeur. monet, pinot, van gogh... amelie poulain! café le deux moulins. l'épicerie, boulangeries. les passants, moi e zaz!

e no sonho tem marmelada sim senhor

nessa onda de calor, estava limpando o meu ventilador quando o telefone tocou - mais alto do que o normal. até por um momento pensei ter feito alguma limpeza auricular, pouco provável seria pensar que aumentei o toque do celular. 

pois bem, era jesus cristo, em toda sua naturalidade:

- clara, eu preciso de um trio elétrico e um caminhão munk. 
- como assim, jesus? não és tu o todo poderoso? basta voar, aumentar de tamanho, afastar umas nuvens e contratar meia dúvida de anjos estagiários para a iluminação ser destacada. 
- não dá, clara. eu preciso me personificar humano, semelhante a todos, preciso passar por burocracias para atingir o meu objetivo - o juízo final. você acha que é fácil assim até pra mim? não é! e brasília será a primeira cidade a ser julgada, o mar de lama se transformará em cal para os famintos (????). 

tudo parou ao meu redor, como aquele stop motion estilo matrix. as coisas do meu apartamento começaram a voar lentamente e meu corpo se mexia (involuntariamente) como se eu tivesse uma habilidade incrível para as artes marciais. 

pensei, "poxa vida, passei vinte e oito anos da minha existência tendo a certeza absoluta que participaria do juízo final, mas aí a participar como ajudante de jesus cristo é demais meu rei..."

claro que era demais, acordei no banheiro, segurando a escova de dentes, sem entender absolutamente nada sobre o que isso teria a ver com o juízo final. tudo bem, escovei os dentes e fui trabalhar.

bom dia. 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

hay en mí algo que está cambiando

"para triunfar debes saber definir con claridad, lo que deseas y lo que haz alcanzado. porque hay que distinguir dónde empezar, apreciando el camino avanzado, sabiendo con exactitud adónde quieres llegar. pero desde hoy en adelante nunca más confundas éxito con triunfo o con victoria.

para iniciarte en el arte de triunfar lo primeiro es autoconocimiento. esto lleva a la autoconfianza y a nuevos resultados. conocerte bien significa entre otras cosas, conocer tu potencial, tus conocimientos, habilidades y experiencia, y tambíen tus puntos débiles y límites.

autoestima é quererte más, apreciarte y valorarte más. es empezar a confiar más en ti mismo y en tu potencial, que és infinito. la autoestima que nace del conocimiento de sí mismo no tiene precio. es la sensación más satisfactoria, terapéutica y productiva que existe en mundos como este.

la autoestima, que nace del autoconocimiento, es decir, del aprendizaje continuo, del crescer hasta las estrellas y de cambiar tu actitud y tus resultados te permite creer, creer más en ti mismo y en tu futuro. trazar nuevos proyectos y lograr lo que pocos logran en una sola vida: obtener nuevos resultados."

suryavan solar

segunda-feira, 9 de abril de 2012

job(s) para a vida

descobri um remédio que não é tarja preta e nem fabricado em laboratório seja ele farmaceutico ou manipulado artesanalmente. é totalmente natureba, sem adição de alcool (dependendo da sua opção em ser um intelectual ou não), sem dependência química e extremamente útil para sua inteligência e estímulo cerebral.

steve jobs, a biografia. isso mesmo, amiguinho. aquele livro enorme, super clichê, o mais vendido do mundo e todos esses "bla bla blás" populares que você aí sentadinho, adora julgar como "ah pára, que coisa ridícula". pois é, não é nada ridículo. é espetacular.

de uns tempos pra cá, adquiri 5 novas biografias: livros sobre woody allen, audrey hepburn, david olgivy e por aí vai. eis que ganhei de aniversário mais dois, furacão elis e, claro, steve jobs. não relutei e priorizei de todas as últimas aquisições, aquele senhorzinho charmoso e magro derrotado por um câncer depois de "milionarizar-se" fantásticamente com computadores antigamente construídos chip a chip e que agora são tendência do século vinte e um.

vejam vocês, o livro tem 600 páginas e eu ainda, humildemente, estou na 110. mas cada linha vencida dessa obra escrita por walter isaacson me deixa embasbacada de como as coisas que realmente precisam acontecer, acontecem independente de aparência, dificuldade em qualquer grau, recurso ou etc.

o percurso parece ter sido - e de fato foi - muito complicado, difícil, demorado. mas depois de entender jobs como um hari krishna dotado de uma energia indomável, porém extremamente polêmico, mal educado, fedido e desorientado, posso acreditar que todo e qualquer sucesso está ao alcance até do ser humano mais maltrapilho e chato, o que indefere da intenção que há em suas ações e consequentemente coração (sem querer ser super otimista, mas já sendo).

bem muito me identifiquei ao conhecer o "campo de distorção da realidade" de jobs, e me senti astuta por reconhecer algumas mediocridades que várias pessoas tem o desespero de esconder - não esconda, é você, por mais retardado que seja... vale usar o exemplo do cinquentão charmoso (e falecido), parando de reclamar sem andar descalço e fazer alguma coisa para mudar a vida. ou o mundo. vai saber se você é um gênio, né...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

é verdade, ela existe

achei que essa parada de inveja fosse utopia. sou daquelas conhecidas por gostar de todo mundo, e na inocência nunca consigo perceber nitidamente quando as pessoas estão sendo boas ou ruins. nem culpo com veemência quando se está sendo ruim, você também é ruim por ora - todo mundo é.

o difícil é perceber que tudo começou por um erro seu. erro de confiar, erro de acreditar, erro em fechar os olhos, botar a mão no fogo e se queimar loucamente. foi uma opção sua promover uma pessoa "x, y, z" para ser aquela que poderia saber tudo sobre sua vida, emocional, sexual, profissional, todos os "al" possíveis e imagináveis - sem entrelinhas.

é, eu tô falando por experiência própria mesmo. eu vesti a blusa do orgulho ferido e da decepção. quero gritar ao mundo que sacanagens acontecem e que, se elas acontecem, é por pura bobeira sua. aquela bobeira de confiar e de não enxergar claramente o que a inveja faz - e faz calada, na surdina, porque é completamente envergonhada e cínica. e eu que a achei utópica e até lúdica, hoje sinto na pele que as pessoas são ferozmente capazes de te magoar por pura vaidade.

acontece...

em 1880 emily disse...


na íntegra:

"a minha vida fechou-se duas vezes antes de fechar...
  mas fica por saber 
  se a imortalidade
  me revela um evento maior
  
  tão largo, tão incrível de pensar
  como estes que sobre ela duas vezes tombaram.
  partir é tudo que sabemos do céu,
  tudo o que do inferno se pode precisar."

emily dickinson, com tradução de ana luísa amaral, extraído do 'não me culpem pelo aspecto sinistro'.

o plus do aspecto sinistro

é comprovado cientificamente que todos tem "direito" à estafa? em uma fase assim, caí no lugar que deveria, blog do jornalista almir de freitas, colunista de cultura da bravo!, quase um novo amor para sarar as lacunas vazias e dar um gás na energia positiva dona do dia a dia.

"não me culpem pelo aspecto sinistro" pode ser considerado por mim, simpatizante por coisas lindas, interessantes, bacanas e relativamente cults (eu não tenho medo de dizer que sou cult), um dos blogs mais feras do século vinte e um.

por fábula do destino e pela minha puta sorte em conhecer coisas/pessoas fantásticas, estou promovendo o almir ao meu novo - e único - ídolo oficial (já que nunca tive um, e a história de ser vice-presidente do fã clube do capital inicial na adolescência é página virada).

deleitam-se com ele. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

samba popular

tem aquelas coisas, né. as vezes não dá. a armadura cai, o nó da garganta desata, você bebe meio quilo de cerveja e desaba em um choro descomunal e infinito que parece dominar o seu equilíbrio e todos os poros da sua pele. o pudor vai embora e você tenta  se agarrar àquela força que te carregou no colo durante anos a fio.  o "eu consegui" se esconde atrás da saudade louca, e você entrega os pontos fisicamente para o casaço da dor se esvair pelo ralo do banheiro (solução a curto prazo).

alguma explicação para essa angústia repentina que permeia há dias, tem que ter. mas não dá pra entender se, aparentemente, eu não tenho (e nem posso) do que reclamar e nem estou passando por qualquer dificuldade que seja - eu só estou exausta! o caminho tá limpo e reto, mas as pedras, que talvez eu mesma tenha criado, estão tortuosas até com sapatos de ferro.

mas todo mundo sabe. eu, você, seu amigo, seu vizinho, sua tia e sua mãe: vai passar.

quinta-feira, 8 de março de 2012

pirando na cidade luz por woody allen

eu já devo ter falado sobre o woody allen aqui. pois é, eu vou falar de novo.

comprei um dvd pirata em um bar semana passada, meia-noite em paris. toda aquela coisa, né? eu fui pra paris no final do ano, eu escutei aquela valsinha feliz em todos os metrôs, eu me apaixonei pela torre eiffel full time, eu (quase) chorei quando avistei o arco do triunfo e meu coração se partiu em dois quando entrei no café les deux moulins e me senti a amelie poulain por um nano segundo.

desde o início eu sabia que se tratava de uma película do nosso amigo woody, mas mesmo assim achei que seria "vítima" de um filme extremamente romântico daqueles que escolhemos para ver na fossa, com um pote de brigadeiro do lado direito e um pote de pipoca com fondor do lado esquerdo (congruência gastronômica típica da tpm). não li crítica e nem release, fui lá, comprei e assisti.

"que bosta" seria a minha primeira consideração se eu fosse um pouco mais cética e reclamona (e claro, se eu entendesse minimamente o que é cinema). terminei o filme em gargalhadas, sem entender porque diabos esse ser humano esquisito como o woody allen é capaz de pensar em um roteiro tão maionese airlines onde o personagem principal entra em um pegeout dos anos 20, volta no tempo e encontra na bohemia, nada mais nada menos que, o casal fitzgerald (zelda e scott), ernerst hemingway, gertrude stein, pablo picasso, henri matisse, praticamente toda a "geração perdida" da época... não compreendo.

olha, o filme não faz o menor (MENOR) sentido, mas puta que pariu minha sogra; corey stoll eu aceito casar com você e obrigada por não ser o hemingway da vida real (puta cara chato).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

aviso aos navegantes

prezado você amigo, irmão, internauta, bonito, simpático e compreensivo, lanço um aviso para exercitar a paciência de todos vocês que convivem comigo diariamente. sei que eu falo demais, rio alto, sou saltitante e as vezes pareço uma criança com meu vestidinho florido. porém, tenho um grave defeito de fabricação irreversível e isso precisa ser registrado para que eu não repita vinte vezes a mesma coisa o tempo inteiro (e também porque eu estou estarrecida e preciso de-sa-ba-far).

eu sou surda. do ouvido direito. em um desfalque de 30% da audição - pois é, prestes a fazer vinte e oito anos. alta, esbelta, interessante e surda. até logo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

acabou o nosso amor

você já sabe que eu sou esquisita. e só esquisitos, assim como eu, se apaixonam platonicamente. pessoas com bom senso e estáveis acreditam em história real. pessoas como eu, bobinha, fantasiosa e romântica acreditam que o homem da sua vida é aquele cara que na verdade não passa de um ser humano completamente sem graça e opaco, pálido e normal.

portanto, não faça você, o que eu faço. não se apaixone platonicamente, isso é bobeira, balela, mentira! pare de pensar que o homem da sua vida tem capa de super herói e será imortalizado por uma estátua na praça mais famosa da cidade. não, ele não é perfeito (ele tem xulé e pode babar dormindo). isso é ilusão da sua cabeça, do seu fantástico mundo que insiste em fugir da realidade só por causa de um par de olhos bonitos e um nariz extremamente atraente.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

estou brava com o tempo e o problema é do tempo

tempo. não sei se tenho tempo, não sei se conheço o tempo e nem sei se realmente necessito de tempo. vou desafiar nosso menino do rio em dizer que nada de senhor o tempo tem. o tempo é um cara chato, devagar e extremamente egoísta. ele não se importa com a sua pressa, ansiedade ou impaciência. ele é dono de todo e qualquer minuto da sua vida - e isso não é uma opção.

você aí bonitinho, sentadinho e organizadinho, despenca horas da sua vida organizando cada milimétrico segundo de acordo com o seu dia a dia, estilo, o escambau! pois bem, me desculpe: você está fazendo isso errado. o tempo não é seu. o tempo é do tempo sem ser seu um só minuto - adapte-se (e pare de sofrer como eu).

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

mais é mais

nas aspas de um sábio em ebulição, transcrevo uma das coisas mais completas que já li dentro dessa linhagem clichê de "ano novo/vida nova". texto grandioso em simplicidade, ao alcance daqueles fãs de los hermanos que acreditam piamente que é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê. 

"mais sucesso,
menos paranóia.
mais compromisso,
mais tranquilidade,
menos ciúmes.
mais amizades,
mais entendimento,
menos inveja.
mais tolerância,
mais amor,
menos exageros.
mais equilíbrio,
mais empenho,
menos tristeza.
mais disciplina,
mais divisão,
menos rancor.
mais trabalho,
mais carinho,
menos preocupação.
mais humildade,
mais exercício,
menos descaso.
mais determinação,
mais pontualidade,
menos dor.
mais vontade,
mais lazer,
menos estresse.
mais energia,
mais tempo,
menos cansaço.
mais compaixão,
mais compreensão,
menos confusão.
mais crescimento,
menos preguiça.
mais satisfação,
menos desperdício.
mais aprendizados,
menos problemas. "

demian.naimed.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

clarice tá na moda, mas dá pra entender o porquê

eu nunca fui uma moça bem comportada. isso é fato! afinal, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem beijos quentes ou pro amor mal resolvido, sem soluços. eu quero da vida o que ela tem de cru e bonito. não estou aqui pra que gostem de mim. estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que eu tenho. e pra seduzir somente o que me acrescenta. sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que as vezes cansa. por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. venha a mim com corpo, alma, voracidade e falta de ar.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

descascando a máscara

me transborda.

me aceita de maquiagem, me aceita linda, interessante, jovial e descolada. mas me aceita confusa, atrapalhada, acordando com remelas nos olhos e irritada - muito irritada. me completa sendo compreensivo, crítico, chato e arrogante. mas nunca, nunca reclame da minha tpm.

entenda a minha fome de chocolate às três horas da manhã, aceite a minha distração em não abastecer o carro toda vez que o tanque acusa reserva. me deixa secar o cabelo de manhã e não me enche o saco se eu esquecer de pagar a conta de luz. eu estou disposta a entender que você é mais prático, bem-resolvido e, claro, impaciente.

tenho um mundo de fantasia completamente individual e egoísta. supere isso, talvez assim seja mais fácil para você entender as minhas emoções e te garanto, não é difícil. eu estou disposta a aceitar o seu trabalho e as suas amigas. desde que você entenda que as vezes eu preciso expressar o meu ciúme grosseiro e romantico. pois é, eu sou contraditória.

por favor, saia com os seus amigos. me esqueça por algumas horas, faça charme e tente ser inatingível em algumas situações. eu adoro desafios. me faça sentir insegurança e depois me arrasa com uma bela desculpa esfarrapada. eu sei que você não é cafajeste. tenha certeza de uma coisa: eu vou me apaixonar no final - aquele que também é o início.

não espere de mim cartas de amor ou surpresas amorosas quando você chegar de viagem. mas espere um abraço quente, um olhar verdadeiro e uma vontade de amor quase sem limites. tá bom, eu confesso: vou improvisar um jantar lá em casa, mas a comida será do restaurante. pois é... eu não sei cozinhar.

em nossa vida social em comum, demonstre independência. sente em um lugar diferente da mesa no bar. converse com outras pessoas. eu estou ali com o radar ligado no rabo de olho, vou admirar a sua indiferença e vou achar isso extremamente charmoso. entenda que eu estou no lucro: você é lindo e interessante. e o melhor, vai embora pra casa comigo.

eu consigo ser muito legal, companheira e engraçada. mas você sabe, né? eu consigo ser, na mesma proporção, muito chata, deselegante e individualista - em tempero saudável. quase sou capaz de te implorar: não entre na minha pilha em tempestade. amanhã vai ser outro dia e, na minha esfera espiritual, não tem lugar pra tempo nublado - você vai entender o ritmo.

alegria, alegria. posso usar as suas cuecas para dormir? me empresta uma furada, pode ser que eu escreva meu nome nela, eu sou possessiva mas a dose é muito fraca. por favor, divida todas as suas conquistas comigo. eu vou vibrar como se fossem minhas. vamos comemorar a nossa existência! tem vezes que você vai confundir clara com intensidade.

divida as suas tristezas também, meu coração é calejado e forte. eu quero completar a sua vida com tudo o que falta - porque eu sei que sempre falta alguma coisinha. acredite, consigo ser lotada de amor e eu prometo nunca me cansar em ouvir o que você fez durante o dia, eu adoro a sua voz. desconte a sua raiva em mim, eu estou aqui pra isso. meu ombro não é de aço, mas eu posso fazer musculação pra te carregar nos braços.

 com xulé e bossa nova, me transborda.

é cafona, mas é bonitinho

um dia cheguei a pensar que eu fosse uma pessoa completamente sozinha. nasci de um amor lindo mas que, diante as leis da sociedade, era totalmente errado e desleal. mas era amor, e lulu santos uma vez me disse que todas as formas de amar valem a pena. pois bem!

filhos de um segundo casamento geralmente são 'condenados' a ter uma família menor e, em partes, excluída. foi isso o que aconteceu comigo. éramos apenas (verdadeiramente) eu, meu irmão, meu pai e minha mãe. mas nessa minusculosidade toda, nós nos completávamos inteiramente. éramos poucos, mas éramos nós - amados, felizes, fortes e lotados de bom humor.

foram-se as duas partes mais importantes do meu ser. aqueles que me geraram, me deram traços faciais, voz, cabelo, pernas e consciência. com eles morreram boas doses do meu bom senso e do meu equilíbrio - por hora. perdi as estribeiras, vivi o meu luto, culpei quem não devia, descontei em quem nem sabia, fiz uma farra com a minha dor!

sobrevivi. reconheci aonde estava o problema, descobri porque doía, respeitei as minhas errôneas ações, me entendi, me perdoei e progredi. deixei pra trás aquela condição de sozinha e gritei pro mundo a minha carência. e o mundo respondeu.

o mundo respondeu me dando vários amigos emocionados e vibrantes de amor. não obstante, o mundo me deu uma nova família. a ligação não é sanguínea, mas é de almas, antepassados, energia e empatia. na minha nova família eu tenho mãe, pai, quatro irmãos (vejam vocês, quatro!) e dois cachorros.

o ser humano é capaz de perder, errar, se ferrar... mas o ser humano é infinitamente capaz de amar, doar e ser feliz, convivendo harmonicamente com dificuldades e limitações, sejam elas físicas ou emocionais. aqui não tem entrelinhas, é o verbo rasgado mais cafona que existe (e eu acho que esse blog pode virar um best-seller de auto ajuda futuramente).

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

2012 merece!

"a vida da gente é mistério
a estrada do tempo é segredo
o sonho perdido é espelho
o alento de tudo é canção
o fio do enredo é mentira
a história do mundo é brinquedo
o verso do samba é conselho 
e tudo o que eu disse é ilusão..." 


15.887 pessoas já me perguntaram o que eu planejei para o ano de 2012. 15.887 pessoas com certeza já planejaram todos os 355 dias que seguirão, independente de calendário maia, asteca, cristão e afins.

eu ainda não planejei se vou estudar em portugal ou na fgv. também não decidi se gosto mais do vasco ou do atlético mineiro. não tenho estratégia para atingir uma meta, a não ser a de namorar o cara do jurídico até abril. não programei dieta, viagem e nem investimento na bolsa.

caminho assim, no escuro mais claro que já enxerguei. tento diminuir ao máximo as expectativas, agradecida pelo que vem e pelo que vai - porque se a gente planta, consequentemente a gente colhe (a boa e velha parábola do semeador). a vida vai acontecer, disso eu tenho certeza. e vai acontecer pra mim e pra você.

peito aberto requer coragem, respiração firme, olhar reto e focado pelo bem. os pés precisam estar firmes no chão (repito, no chão). feito isso, a energia gira ao seu redor e as coisas fluem com a melhor das harmonias.

acredite, pensar o bem e querer o bem é o suficiente para a sua vida dar uma bela de uma guinada. feliz 2012 pra você, pra sua mãe, pro seu pai e pra sasha.