segunda-feira, 28 de maio de 2012

à cultura do que é simples

eu frequento um bar pé sujo. com ele também frequento o amor disponível e leve, suave, saudável. aquele que não vê cara, apenas coração. onde as conversas são francas, verdadeiras, honestas e bobas - assim como qualquer "descompromisso" sincero e desapegado, porém cheio de realidade e espontaneidade. coração aberto, sinceridade em viver, longe de hostilidades e futilidades.

é simples como pede o ambiente.

o amor comanda qualquer movimento, seja ele sério ou descontraído. essa é a essência. o plausível e infinitamente bonito, aquilo que eleva a energia e nos faz trasbordar em autenticidade e segurança. nós, mortais sedentos, chamamos isso de amor incondicional. além do que já esperamos sentir e sentimos, como glória e coragem, onde reabastecemos aquela cultura que entendemos feito poesia, batizada de amizade.

clichê necessário


terça-feira, 8 de maio de 2012

"status" de espírito

ansiedade. falar sobre ansiedade é a mesma coisa que falar sobre um parente muito próximo, daqueles em que a intimidade é profundamente conhecida, tipo mãe, pai, irmão, cachorro ou periquito... 

para mim é como se fosse um estigma criado pela geração que se faz perpétua dentro dos seus ensinamentos mais primordiais . não é facilmente controlada, como é diagnosticada em menos de 4 segundos. o tempo pode fazê-la imatura ou robusta em personalidade, mas sempre terá a mesma essência - sofreguidão, avidez, inquietude. 

existem pares para o bem e o mal. variam entre extremos e carregam vários adjetivos que, na minha humilde inteligência, são infinitos. para arianos com ascendente em libra (assim como eu), a ansiedade é oito ou oitenta. quando em felicidade, vem carregada de dor de barriga, entusiasmo e expectativa. quando em tristeza, são exumadas do corpo com rapidez e agressividade, tal como uma receita de bolo de chocolate exageradamente doce em épocas de tpm - isso é o que eu chamo de sunday bloody spirit. 

não me tira o sono e nem concentração. mas toma conta dos poros da minha pele e da palpitação do coração, modo esse de se esconder em suavidade quando não pode ser prioridade em atenção. mas sempre está ali, quieta, por algum motivo, acontecimento, espera e muita vontade. 






quinta-feira, 3 de maio de 2012

diálogos informais II: humildade e ganância

- eu quero comer chocolate.
- eu quero ficar rico. e nunca mais trabalhar. só viajar. e estudar. e mais nada.

(...)

diálogos informais I: a mentirinha solidária

- ah, pois é, tem algumas traduções que preciso fazer, vi que você fala espanhol.
- é, falo, assim "má-lé-mal"...
- ótimo, vou te passar então.
- pois é, tenho um dicionário maravilhoso!

(...)

les choses que j'ai apprises à paris


paris. le metró. montmartre. froid. le vent. amour. moulin rouge. sacré coeur. monet, pinot, van gogh... amelie poulain! café le deux moulins. l'épicerie, boulangeries. les passants, moi e zaz!

e no sonho tem marmelada sim senhor

nessa onda de calor, estava limpando o meu ventilador quando o telefone tocou - mais alto do que o normal. até por um momento pensei ter feito alguma limpeza auricular, pouco provável seria pensar que aumentei o toque do celular. 

pois bem, era jesus cristo, em toda sua naturalidade:

- clara, eu preciso de um trio elétrico e um caminhão munk. 
- como assim, jesus? não és tu o todo poderoso? basta voar, aumentar de tamanho, afastar umas nuvens e contratar meia dúvida de anjos estagiários para a iluminação ser destacada. 
- não dá, clara. eu preciso me personificar humano, semelhante a todos, preciso passar por burocracias para atingir o meu objetivo - o juízo final. você acha que é fácil assim até pra mim? não é! e brasília será a primeira cidade a ser julgada, o mar de lama se transformará em cal para os famintos (????). 

tudo parou ao meu redor, como aquele stop motion estilo matrix. as coisas do meu apartamento começaram a voar lentamente e meu corpo se mexia (involuntariamente) como se eu tivesse uma habilidade incrível para as artes marciais. 

pensei, "poxa vida, passei vinte e oito anos da minha existência tendo a certeza absoluta que participaria do juízo final, mas aí a participar como ajudante de jesus cristo é demais meu rei..."

claro que era demais, acordei no banheiro, segurando a escova de dentes, sem entender absolutamente nada sobre o que isso teria a ver com o juízo final. tudo bem, escovei os dentes e fui trabalhar.

bom dia.