sexta-feira, 29 de junho de 2012

clarificando

domingo desses liguei o computador em uma ação automática, entendendo que, inexplicavelmente, eu prefiro assistir filmes em uma tela de treze polegadas à outra de, sei lá, vinte e duas.

tudo estava milimetricamente planejado; edredon com cheiro de sono, travesseiros posicionados confortavelmente, decisão pelo pijama mais velho e agradável e muita vontade de mergulhar em um outro universo, para mudar de canal daquilo que eu chamo de "realidade inventada", também conhecida por "minha vida".

pois bem, la película era beginners. ewan mc gregor em uma interpretação fantástica, entendia o amor após a morte de seu pai - el maravilloso christopher plumer - que, em uma surpreendente e inebriante esfera, assumiu a homossexualidade aos 70 anos, transformando o fim de seus dias com um jovem namorado, abraçando causas gays e ajudando o filho a entender que, salve clube da esquina, toda forma de amor vale a pena.

o roteiro do filme (dirigido por mike mills) me passou uma forte sensação de respeito e responsabilidade com os movimentos homossexuais, seus semelhantes e simpatizantes. vai além das histórias usuais que encontramos por aí, dado à um exato momento em que o interlocutor obriga o telespectador, sendo ele gay ou não, a pensar em toda a sua existência com uma simples e bem formulada pergunta:

when was the last time you look to your life and saw nothing, but fraud? 


um soco no estômago. trezentos e vinte e nove tapas na cara. quarenta e sete baldes de água fria sobre a cabeça e uma paralização momentânea do cérebro, já que nos próximos minutos, horas, dias ou meses, ele vai trabalhar demais pensando em como responder à essa pergunta entendendo você, mesmo dotado de sucessos na vida, uma tremenda de uma fraude, mentira, balela, catota.

isso não pode te assustar. todos nós sabemos, conhecemos, aceitamos e convivemos com as máscaras diárias assistidas de camarote, a verdadeira personificação do ego em forma de gente, limitando o ser humano a um processo de vaidade extrema, abandonando a especial e importante experiência da humildade, do desapego e do se entender errado e aceitar errado e superar acertando, num intenso exercício em acreditar que qualquer pessoa é ávidamente capaz de ser responsável, correta e íntegra, concluindo que o mais confortável não é fingir ser, pagar pra ser, ou ser só se ter.

o mais confortável é se entender em voz, olhar, coragem e cara lavada. abrindo o corpo, a mente e o coração para as variáveis universais que são infinitamente maiores que a sua incapacidade de aceitar que é capaz de ser pobre e medíocre, ao mesmo tempo em que és incrível e maravilhoso.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

ele também é assim...

salvaguardando a nossa inquestionável veia ortográfica, eis aspas de meu irmão:

"interesting how life can compare to a book and how it always seems that we are writing it at the same time as we read it. also interesting how you can't really define what love is, but you can sure point what it is not."

reflitam.

terça-feira, 12 de junho de 2012

aqui tem solução

li uma frase hoje, glorioso reinaldo azevedo que, infelizmente é empregado pela veja, mas sabe o que dizer mesmo imergido em incoerência, coisa como "todo mundo é meio idiota a beira do abismo, acho".

pois bem reinaldo, não se subestime, você não acha, você tem certeza. assim como eu e todos os brasileiros que fazem questão de brincar de roleta russa naquilo que você está chamando de beira.

estupefata estou e sempre estarei, quando me deparar com momentos e emoções da vida que me fazem varear em sentimentos de forma totalmente bipolar e sobrehumana. até vaidosa eu poderia dizer, mas na verdade, sou muito vaidosa para assumir que estou sendo vaidosa.

fazendo uma análise macro da situação, me permito garantir a todo e qualquer meliante que passa na rua que, mesmo aquele idiota anos 90 que passou por sua vida feito um cometa halley, fazendo festa, barulho e baderna no seu coração, vai ter uma missão instintiva de sobrevivência pra você.

nem que seja para tapar um buraquinho por alguns dias, despertando assim uma fome de amor e delírio de felicidade, reproduzindo aquela fé adolescente que te transporta do céu ao inferno em 5 minutos. faça uma leitura positiva, isso é bom, enche o corpo de saúde e o tormento não passa desses 5 minutos necessários e indiferentes que te fazem sentir viva e completamente normal - se considerarmos o alto índice de loucos soltos na rua, ser normal é imensamente agradável e justo.





sexta-feira, 1 de junho de 2012

amém

há um par de anos atrás, aprendi com uma adorada amiga, a verdadeira importância de celebrar a nossa própria existência. isso mesmo, celebrar a nossa vida, celebrar o egoísmo altruísta que nos conduz àquele sentimento clichê e totalmente necessário batizado de amor próprio.

pois bem, eu o fiz. celebrei naturalmente a minha vida, da forma mais casual possível.

eis um dia comum, de labuta e cansaço, visitei meu supermercado favorito, de vestido e chinelo, em calma e conforto. comprei aquelas coisas que mais me agradam, queijo, chips, macarrão, torradas, requeijão, frutas e vinhos - intuito de abastecer a dispensa e geladeira.

carreguei a adega, cortei uns queijos, abri um patê e servi com a torrada - não que eu não fizesse isso em dia nenhum, mas ontem foi diferente. diferente só pela intenção inconsciente do coração, de estar em meu santuário, cercada por elementos materiais que marcaram a minha vida de alguma forma, desde uma pedra conquistada na cachoeira do abade à uma fotografia parisiense de minha mãe tão saudosa.

e foi assim o resto da noite. um ambiente todo meu, conquistado e cuidado por mim, dentro da minha personalidade e minha história. o físico e o espiritual numa esfera completamente agradável e sensacional - foi épico! num exato momento da noite, paralisei. percebi a essência da solitude feliz, contemplei e agradeci. agradeci. agradeci.